350
milhões de crianças são vítimas
de violência escolar, aponta pesquisa
 |
| Plan
- Divulgação |
A cada dia, aproximadamente
1 milhão de crianças sofrem algum tipo
de violência nas escolas em todo o mundo. E
nenhum país está imune. Esses são
alguns dos resultados de uma pesquisa conduzida pela
Plan, uma das maiores e mais antigas organizações
não-governamentais de desenvolvimento. O relatório
é parte da campanha “Aprender Sem Medo”,
lançada hoje em diversos países com
o objetivo de promover um esforço global para
acabar com a violência nas escolas.
Além da quantidade alarmante de vítimas,
a pesquisa indica que a violência não
afeta apenas a personalidade, a saúde física
e mental e o futuro potencial da criança, mas
traz também danos irreparáveis para
a família, a comunidade e a economia nacional.
O levantamento retrata a situação mundial
em relação a três principais temas
vivenciados nas escolas: violência sexual, castigo
corporal e bullying.
Alguns dados mundiais alarmantes indicam que:
- Meninas sofrem mais com violência sexual;
- Meninos são mais atingidos pelo castigo corporal;
- Vítimas de violência na escola têm
maior tendência a cometer suicídio;
- Muitas vítimas morrem devido a ferimentos,
complicações de gravidez indesejada
ou Aids;
- Garotas vítimas de bullying têm oito
vezes mais chances de serem suicidas.
No Brasil especificamente, a pesquisa mostrou
que:
- 84% de 12 mil estudantes de seis estados reportaram
suas escolas como violentas;
- Cerca de 70% desses 12 mil estudantes afirmaram
terem sido vítimas de violência escolar;
- Um terço dos estudantes afirmou estar envolvido
em bullying, seja como agressor ou vítima;
- Quando questionadas a respeito de castigo corporal,
crianças brasileiras de 7 a 9 anos disseram
que a dor nem sempre é só física.
Declararam sentir “dor no coração”
e “dor de dentro”.
Com o relatório e a campanha “Aprender
Sem Medo”, a Plan – juntamente com parceiros
nacionais e internacionais – quer mostrar que
toda a violência contra crianças pode
e deve ser evitada. Uma escola isenta de violência
é o direito de cada criança. "Todos
nós temos um papel a desempenhar, quer como
indivíduos, governos ou ONGs: temos de garantir
que as crianças possam ir à escola sem
medo ou ameaça de violência e recebam
uma educação de qualidade em um ambiente
seguro. ‘Aprender Sem Medo’ pode ser uma
campanha da Plan, mas é responsabilidade de
todos”, afirma o assessor de Educação
da Plan Brasil, Charles Martins.
A estratégia mundial da campanha está
baseada em:
- Persuadir os governos a tornar ilegal todas as formas
de violência contra as crianças na escola;
e fazer com que essas leis sejam cumpridas;
- Trabalhar com os dirigentes escolares e professores
para criar escolas livres de violência e promover
métodos alternativos à disciplina de
castigos corporais;
- Criar uma dinâmica de mudança global,
incluindo aumento dos recursos de doadores internacionais
e governos para combater a violência nas escolas
de países em desenvolvimento
Bullying
No Brasil, a campanha
terá como principal foco o bullying escolar,
incluindo o cyber bullying, e suas implicações
para a educação. Definido como “o
desejo consciente e deliberado de maltratar uma outra
pessoa ou colocá-la sob tensão”,
o termo bullying começou a ser estudado por
pesquisadores brasileiros mais intensamente a partir
da década de 1990 devido ao alto índice
de crianças e adolescentes que sofriam maus-tratos
praticados por colegas, professores ou funcionários
da escola.
As vítimas de bullying geralmente perdem o
interesse pela escola e passam a faltar às
aulas para evitar novas agressões. Essas vítimas
apresentam cinco vezes mais probabilidade de sofrer
de depressão e, nos casos mais graves, estão
sob um risco maior de abuso de drogas e de suicídio.
Apesar da ampla divulgação sobre o problema,
dos 66 países pesquisados pela Plan, apenas
cinco (Coréia, Noruega, Sri Lanka, Reino Unido
e EUA) possuem leis que proíbem o bullying
nas escolas.
A partir do lançamento da campanha, a Plan
iniciará uma mobilização de parceiros
(outras ONGs, governos, escolas) e da sociedade civil
para começar a implementação
do programa em escolas a partir do próximo
ano letivo. No Brasil, a Plan já conta com
o apoio da Campanha Nacional pelo Direito à
Educação, uma rede social que articula
mais de 200 entidades de todo o Brasil.
A Plan é uma organização não-governamental
de desenvolvimento centrado na criança e no
adolescente. Sem qualquer vinculação
política ou religiosa, foi fundada em 1937
e hoje está presente em mais de 60 países.
No Brasil atua desde 1997, principalmente nos estados
de Pernambuco e Maranhão. Cerca de 1,5 milhão
de crianças e adolescentes participam dos programas
da Plan em todo o mundo, sendo mais de 75 mil somente
no Brasil. Atualmente, a organização
desenvolve no país cerca de 50 projetos nas
áreas de educação, saúde,
promoção de direitos, participação
comunitária e segurança alimentar e
nutricional.
www.plan.org.br
www.learnwithoutfear.org