quinta-feira, 9 outubro, 2008
Escola
de Educação Infantil de São Carlos
é premiada por desenvolver projeto com foco
na valorização da cultura negra
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CEERT |
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Mês
da Consciência Negra
CEMEI José Marrara |
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A premiação
aconteceu em setembro, promovida pelo Centro de Estudos
das Relações de Trabalho e Desigualdades.
As atividades foram desenvolvidas pelo Centro Municipal
de Educação Infantil (CEMEI) José
Marrara, com crianças entre 0 e 3 anos
Valorizar a cultura
negra e sensibilizar profissionais contra o preconceito
racial. Estes são alguns dos objetivos do projeto
"Mês da Consciência Negra no CEMEI
José Marrara", realizado em São
Carlos. As ações partiram de uma proposta
anterior desenvolvida por Gabriela Guarnieri Tebet,
mestre em Educação pela UFSCar e professora
do CEMEI premiado.
Gabriela Tebet
relata que a idéia do projeto implantado na
escola surgiu a partir do livro "Trabalhando
a diferença na Educação Infantil",
escrito por ela e outros dois autores durante o seu
mestrado na UFSCar. O objetivo do livro era trabalhar
a formação de professores voltada para
a reflexão sobre as mais variadas diferenças
raciais e culturais presentes no dia-a-dia escolar.
Com base nesse trabalho e o foco voltado à
valorização da cultura negra, Gabriela,
com a participação de outras professoras
do CEMEI, realizou uma série de atividades,
em novembro de 2007, destinadas às crianças
entre 0 e 3 anos que freqüentam a escola.
Entre as atividades
foram apresentados fantoches e contações
de histórias, com base em livros infantis com
personagens negras; trabalhos artísticos; confecção
de máscaras africanas; matinê com músicas
black; apresentações de capoeira, da
dança tradicional maculelê, e até
aulas de culinária com comidas típicas
da África.
Gabriela Tebet
relata que as crianças aproveitaram muito a
dinâmica dos 15 dias de atividade. "Elas
ainda são muito pequenas para entender o significado
do preconceito, o importante foi aproximá-las
de culturas, valores e atividades peculiares da África",
afirma a professora. Outro ponto destacado por ela
é o fato de que as crianças negras se
sentiram valorizadas "ao ver seus pais e outros
convidados, também negros, participando das
atividades e assumindo papéis de destaque nas
apresentações".
O preconceito
racial pode ser percebido logo nos primeiros anos
de vida, segundo Grabiela. Ela ressalta que a própria
família embute esses valores nas crianças
e que elas levam isso para dentro da escola. "Em
casa, os pais dizem não gostar dos negros,
ou têm atitudes que reforçam isso. Quando
chegam na escola, os alunos não respeitam professores
negros, ou se afastam de coleguinhas afrodescendentes",
reconhece a professora.
Na tentativa de
chamar a atenção para essas questões,
as atividades do projetos foram de extrema importância,
de acordo com a professora. "Os pais participaram
ativamente das práticas, as famílias
se aproximaram e, principalmente, conseguimos sensibilizar
alguns professores e funcionários que muitas
vezes não estão atentos às diferenças
racias em sala de aula."
O projeto desenvolvido
no CEMEI foi premiado em setembro pelo 4°
Prêmio "Educar pela Igualdade",
na categoria Escola, promovido pelo Centro de Estudos
das Relações de Trabalho e Desigualdades
(CEERT). O Prêmio tem foco em ações
práticas na educação livre do
racismo, preconceito e discriminação,
e visa mapear, apoiar e dar visibilidade às
boas práticas desenvolvidas.
Gabriela Tebet
afirma que o prêmio foi fundamental para que
toda a comunidade envolvida na escola percebesse e
valorizasse a importância de se discutir e quebrar
as barreiras do racismo e do preconceito. Em 2008,
as atividades já tiveram início neste
Mês da Criança. Envolvendo um tema mais
amplo, que abrange as diferenças de nacionalidade,
culturas e valores, as professores fixaram por toda
a escola figuras de crianças de vários
países, para que os alunos comecem a perceber
as primeiras características que distinguem
os povos. As ações terão continuidade
em novembro, Mês da Consciência Negra.
Gisele Catarina Bicaletto | Comunicação
Social Universidade Federal de São Carlos