Abaixo-assinado
pede aprovação urgente da PEC contra
o trabalho escravo

Ato
Nacional pela Aprovação da PEC do Trabalho
Escravo, que tem o objetivo de colher assinaturas
para aprovação da Proposta de Emenda
à Constituição 438/2001 - Foto:
Elza Fiúza/ABr
Amanda
Cieglinski
Repórter da Agência Brasil
Só em
2008, mais de 3 mil trabalhadores em situação
degradante foram resgatados por equipes do grupo móvel
de fiscalização do Ministério
do Trabalho e Emprego (MTE). Desde que o grupo foi
criado, em 1995, mais de 30 mil trabalhadores foram
retirados de situações irregulares.
Para impedir que a prática do trabalho escravo
continue existindo no Brasil, entidades da sociedade
civil organizaram hoje (17) um ato nacional pela aprovação
da Proposta de Emenda à Constituição
(PEC 438/2001) que prevê penas mais rígidas
para os exploradores. Entre elas, a expropriação
de imóveis (rurais e urbanos) de quem cometer
o crime.
A proposta está
pronta para ir ao plenário na Câmara
e depois precisa ser votada no Senado. A matéria
tramita há sete anos e, segundo as entidades
que representam os trabalhadores, sofre forte pressão
da bancada ruralista para não ser aprovada.
Segundo o diretor da Confederação Nacional
dos Trabalhadores em Agricultura (Contag), Antônio
Lucas, a idéia do abaixo-assinado é
mostrar aos parlamentares que a sociedade é
contra o trabalho escravo.
“O Brasil
hoje é um país que está exportando
soja, milho, um monte de produtos agrícolas.
Eles [ruralistas] precisam tirar de dentro dessa produção
o trabalho escravo, isso é bom para eles também.
Eles precisam ter essa consciência. Nós
vamos para dentro do Congresso brigar para que ela
seja aprovada”, afirma.
A meta é
recolher 2 milhões de assinaturas até
fevereiro. Hoje (17), os pontos para coleta de assinaturas
estão espalhados em várias cidades.
Em Brasília, foram escolhidos dez locais de
grande circulação como a Rodoviária
do Plano Piloto, os shoppings Pátio Brasil
e Conjunto Nacional, e as estações do
metrô em Taguatinga e Ceilândia. Há
ainda a versão eletrônica do abaixo-assinado,
disponível na internet.
Para Maria Isabel
Silva, conselheira da Associação dos
Magistrados do Brasil (AMB), parte da população
desconhece que o problema persiste no Brasil, 120
anos após a assinatura da Lei Áurea.
“A população é muito mal
informada. As pessoas que têm nos procurado
nem sabe que isso ainda existe, quem está na
fazenda acha que vive lá por uma concessão
do patrão. O povo precisa ser conscientizado
que essa exploração do homem pelo homem
não pode mais existir. É uma segunda
abolição da escravatura”, defende.
A auxiliar de
administração Dalvirene Cavalcante passava
pela Rodoviária do Plano Piloto e decidiu parar
para assinar a lista. “É uma situação
deprimente [o trabalho escravo] que infelizmente ainda
existe. Eu fico comovida porque meu pai já
foi trabalhador escravo, há 30 anos ele fugiu
de uma fazenda no Alto do Xingu (MT), ajudado pelos
índios”, contou.
Segundo a Associação
Nacional dos Procurados do Trabalho (ANPT), os estados
que mais apresentam denúncias desse tipo de
exploração são Pará, Mato
Grosso, Tocantins e Maranhão.
Jônatas
Andrade, representante da Associação
Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho
(Anamtra), explica que as denúncias de trabalho
escravo aparecem “de forma renovada”.
“Elas têm aparecido inclusive em áreas
em que não se apresentavam, como o Sul e o
Sudeste, em especial no setor sucroalcoleiro.”
Andrade aposta
na “pressão do povo” para acelerar
a aprovação da PEC. Segundo ele, estão
sendo feitas parcerias com supermercados para instalar
pontos de coleta de assinaturas. O primeiro a aderir
foi a rede Wall-Mart.
Quem quiser denunciar
algum caso de trabalho escravo pode procurar a ouvidoria
do Ministério do Trabalho pelos telefones 0800
610101 (para as regiões Sul e Centro-Oeste
e os estados do Acre, Rondônia e Tocantins)
e 0800 2850101 (demais localidades).