Os 100
anos da Umbanda
Alexandre
Braga
O Brasil, maior
país católico do planeta, tem uma religião
de feições afro-índigenas e características
nacionais. A Umbanda completou 100 anos no dia 15
de novembro de 2008, segundo o censo do IBGE de 2001
ela tem 432 mil adeptos.
Sob o lema do Amor, Humildade e Caridade essa religião
superou todos os obstáculos como credo popular,
haja vista os difíceis momentos em que sua
prática virou caso de polícia, pois
era proibida. Durante o Estado Novo, na década
de 30, Getúlio Vargas criou a Inspetoria de
Entorpecentes e Mistificações para combater
seus cultos, época em que eles aconteciam de
forma clandestina.
A Umbanda, que significa para todas as bandas, nasceu
no Rio de Janeiro no dia 15/11/1908, através
do médium Zélio Fernandino; então
com 17 anos, cuja inspiração para o
início das práticas mediúnicas
vieram por meio do caboclo das 7 Encruzilhadas que
afirmara que estava vindo naquele momento para oficializar
uma nova religião onde não existiria
nenhum tipo de discriminação e que estaria
aberta para qualquer um.
A Umbanda é composta de um único deus
(Olorum, que é o criador de tudo e todos),
onde seus frequentadores (os de "filhos de fé")
reverenciam entidades superiores denominados orixás,
sendo o principal Jesus (Oxalá).
A associação
da religiosidade africana aos elementos do catolicismo
aconteceu principalmente como estratégia de
sobrevivência nas senzalas contra os maus-tratos
e os castigos fisícos impostos aos escravos;
pois os senhores de engenho não admitiam cultos
que não fossem a fé européia,
daí nasceu o sincretismo religioso, pelo qual
os negros associavam os orixás aos santos de
seus senhores, mas na verdade estavam mesmo é
praticando a fé dos ancestrais africanos.
Essa fusão da Umbanda com os elementos das
culturas afro ( jêje, nagô, banto e mina),
pajelança, cardecismo, catolicismo e da natureza
são as bases dos rituais umbandísticos.
Os cultos da Umbanda eram feitos em tendas, posterioremente
terreiros. O primeiro deles foi o Centro de Umbanda
Nossa Senhora da Piedade. E a religião passa
a ser conhecida como “macumba”, tipo de
madeira usada para fabricar o atabaque, principal
instrumento musicial tocado na Umbanda e outras religiões
de matriz africana.
Em nossos dias a denominação macumba
tem, em algumas regiões brasileiras, conotação
pejorativa. Em 1946, graças à emenda
na Assembléia Constituinte proposta pelo escritor-deputado
Jorge Amado, do PCB, hoje PCdoB, a liberdade de culto
foi aprovada.
Porém, foi o ex-governador de São Paulo,
Adhermar de Barrros, “o defensor da Umbanda”,
quem deu apoio, nos anos 50, aos terreiros para que
eles se registrassem nos cartórios, inaugurando
um breve período em que a religião deixou
de ser “caso de polícia”.
Após o Concicilio Vaticano II, realizado entre
1962 e 1965, a Igreja Católica passa a dialogar
com as religiões de inspiração
afro-índigena, mas o preconceito e a perseguição
só começam a ser tipificados como crimes
de intolerância religiosa a partir da promulgação
da Constituição de 1988.
28/11/2008
Alexandre Braga é Africanista, coordenador
de comunicação da Unegro-União
de Negros Pela Igualdade e da coordenação
executiva do Fomene-Forum Mineiro de Entidades Negras.
Belo Horizonte-MG.
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