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Quilombolas discutem regularização em MG

Os trâmites legais para titulação de áreas quilombolas, as demandas e reivindicações das comunidades integraram os temas abordados durante a palestra proferida pela coordenadora nacional de Regularização de Territórios Quilombolas do Incra, Givânia Maria da Silva, na programação desta quinta-feira (28), do III Encontro das Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais. O evento é realizado até domingo (30), no Sesc Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte.

Organizado pela Federação das Comunidades Quilombolas de Minas Gerais (N´Golo) em conjunto com o Instituto de Terras (Iter/MG) e o Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva, o evento oferece espaço para discussões sobre as políticas sociais destinadas aos direitos dos descendentes de escravos.

“O Incra recebeu a missão quilombola em 2003, porém, levou um tempo para internalizar esse processo dentro do instituto. E, ao fazer isso, surgiram muitos desafios como a legislação vigente e o regimento do próprio órgão”, explica Givânia, que é proveniente de um quilombo de Pernambuco (PE).

Para o presidente da Associação Quilombola das Mangueiras, Walter Vitor da Silva, o encontro é muito produtivo para fortalecer e dar campo de trabalho para as comunidades. “O brasileiro deve refletir todos os dias sobre a questão da consciência negra, porque do jeito que está não pode continuar. Nós queremos crescer e ter fonte de renda” reflete.

A diretora de gênero da N´Golo e organizadora do seminário, Sandra Maria, avalia que o encontro reúne um grande número de quilombolas para discutir os avanços e retrocessos na legislação. “A gente precisa, cada vez mais, dos quilombolas unidos para sensibilizar os deputados em Brasília. Os participantes trouxeram as demandas das comunidades, estão questionando as autoridades presentes e exigindo soluções” afirma.

Atualmente, há 98 processos de regularização de territórios quilombolas instaurados na Superintendência Regional do Incra em Minas Gerais. O Estado ocupa o terceiro lugar no País em número de comunidades quilombolas certificadas pela Fundação Cultural Palmares.

O encontro conta, ainda, com a participação da antropóloga do Ministério Público Federal (MPF), Ana Flávia Moreira Santos; do direto do Iter, Manuel Costa e da coordenadora geral da política estadual de segurança alimentar, Renata Souza. A programação do evento também prevê a exibição de filmes sobre a temática e oficinas de capacitação política e jurídica para a formação de associações.

29/11/2008
Assessoria de Comunicação Social MDA/Incra
Jornalista responsável: Ricardo Schmitt


 

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