domingo, 11 janeiro, 2009 16:43
Vinte
e sete universidades vão organizar cursos sobre
o tema étnico-racial este ano
Kátia Buzar
Repórter da Agência Brasil
Brasília - Vinte e sete universidades
públicas selecionadas pelo Ministério
da Educação (MEC) vão organizar
cursos e produzir material didático-pedagógico
este ano sobre a temática étnico-racial.
A formação de professores na área
é prevista na Lei 10.639/03, que obriga o ensino
da cultura e história afro-brasileira nas escolas
públicas e particulares de nível fundamental
e médio.
A técnica em Assuntos Educacionais
da Secretaria de Educação Continuada,
Alfabetização e Diversidade (Secad),
Bárbara Rosa disse que o novo edital trouxe
uma novidade. “Agora cada universidade vai formatar
o curso de acordo com a realidade na qual está
inserida. Por exemplo, em Minas Gerais quatro universidades
irão promover cursos. Minas é um estado
muito grande e abrange regiões diferentes,
contextos diferentes e essas características
serão consideradas.”
Segundo Bárbara, o MEC vai
lançar até março um plano com
algumas diretrizes para acelerar a implementação
da Lei 10.639. Ela destaca a importância da
formação do professor para que o ensino
da cultura e história afro-brasileira seja
realidade.
“O ministério produz
o material didático, mas não pode impor
o uso de determinado livro, isso é uma decisão
do professor e da sua coordenação. Por
isso é que o MEC, além de produzir material
didático-pedagógico, vem há algum
tempo investindo também no material humano,
na formação dos professores. Mas tem
que haver ações paralelas que envolvam
todo colegiado”, acrescentou Bárbara.
Representante do Movimento Negro Unificado
(MNU), Jacira Silva acredita que só a educação
pode transformar a sociedade e reduzir a discriminação
contra a população negra. “Acho
muito importante que as universidades estejam envolvidas
nesse processo, já está mais do que
na hora de estudar a África com a mesma importância
que outros povos. É preciso ensinar a participação
positiva do negro na construção do nosso
país. A educação inclusiva é
uma questão de direitos humanos, o negro precisa
ser tratado de forma igualitária”.
Para o estudante de uma escola pública
do Distrito Federal Cássio Xavier, de 12 anos,
o negro só é lembrado em 20 de novembro,
quando se comemora o Dia da Consciência Negra,
em homenagem ao principal ícone da luta contra
a escravidão no país, Zumbi dos Palmares.
“Lá [na escola] pode se falar até
da viagem do homem à Lua, mas não se
fala de Zumbi. Salvo alguns professores, como o de
geografia, que teve a iniciativa de levar um filme
sobre o apartheid".
Agência
Brasil
LINK
ORIGINAL