quarta-feira, 21 janeiro,
2009 13:45
Mundo
pode refletir sobre igualdade com posse de Obama,
diz presidente da Fundação Palmares
Ivy Farias
| Agência Brasil
Quando subiu as
escadas do Lincoln Memorial em Washington, em 1963,
para fazer seu mais famoso discurso – I have
a dream (Eu tenho um sonho, na tradução
literal) – o reverendo Martin Luther King Jr.
não deve ter imaginado que 46 anos depois um
negro assumiria a presidência do país.
Segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil,
Martin Luther King ficaria orgulhoso da vitória
de Barack Obama.
"Obama é a
maior vitória do movimento negro americano,
é o fruto mais bem aprimorado da organização
e mobilização dos negros", comenta
o presidente da Fundação Cultural Palmares,
Zulu Araujo. "Martin Luther King deve estar vibrando
com Obama, onde quer que esteja", completou.
Segundo ele, o novo presidente
dos Estados Unidos abre esperança para o mundo.
"Os EUA, que foram um dos maiores estados a praticar
a segregação racial, dão oportunidade
para o mundo de refletir sobre igualdade", afirmou.
Araújo explicou
que Obama na presidência traz diversas lições
para o planeta, incluindo o Brasil. "Ele [Obama]
só chegou à presidência porque
estudou em excelentes faculdades graças a bolsas
e ao sistema de cotas". Obama cursou direito
na Universidade de Harvard, uma das mais prestigiadas
dos Estados Unidos. "O sistema de cotas é
um instrumento viável que pode acelerar a igualdade
entre as raças", afirmou Zulu Araújo.
O presidente da Fundação
Palmares destacou também a importância
de se criar políticas públicas de educação
e afirmação dos negros. "A educação
já é um passo importante, mas não
é o único". De acordo com ele,
a mídia também pode colaborar. "No
Brasil, temos mais apresentadoras brancas que em muitas
TVs européias. É preciso diversificar".
No país, os 14.138.167
negros – segundo dados do Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE) – podem
ver em Obama a capacidade de ocupar outros espaços.
"A sociedade brasileira não está
preparada para ver o negro em outros cargos e nem
os negros também assimilam que podem estar
nesses cargos. Obama mostra que não há
lugares marcados no mundo", completou a professora
de psicologia social da Universidade de São
Paulo (USP) Cida Bento.
Ele lembrou que os negros
brasileiros não são os únicos
a tirarem uma lição do fato: "A
eleição dele ajuda mais os brancos que
os negros. Obama não se elegeu só com
votos de negros, os brancos também votaram
nele. Para os brasileiros brancos, é fundamental
entender que um negro pode também representá-los".
Agência
Brasil