domingo, 12 abril, 2009 17:08
Adolescentes
adaptam cadeira de rodas para melhorar mobilidade
de deficientes nas ruas
Lúcia
Norcio
Repórter da Agência Brasil
Uma história
de inclusão social que surgiu na escola e já
começa a ser contada em feiras de ciências
e mostras de engenharia. Dois estudantes de Curitiba,
Gabriel Tadeu Sanson, de 15 anos e Bruno Abdala Cândido
Lopes, de 16 anos, desenvolveram uma cadeira de rodas
adaptada para superar pequenos obstáculos como,
por exemplo, subir nas calçadas.
Eles contam que
a idéia surgiu após assistirem uma reportagem
num canal de televisão que mostrava os problemas
de acessibilidade enfrentados por cadeirantes. Segundo
Bruno, eles pesquisaram pelas principais ruas da capital,
ouviram pessoas com necessidades especiais e visitaram
algumas instituições que atendem estas
pessoas e concluíram que , em muitos trechos
da cidade, não há quantidade suficiente
de guias rebaixadas, o que dificulta a locomoção.
Os dois fizeram
uma experiência utilizando uma cadeira de rodas
do colégio onde cursam o 2º ano do ensino
médio. Decidiram experimentar a sensação
de se locomover com ela por alguns bairros e sentiram
dificuldades para acessar vários locais. A
partir daí, deram início a um projeto,
segundo eles, muito simples e de baixo custo.
Eles adaptaram
a cadeira, a um custo de R$ 100, acoplando uma espécie
de rampa em cada roda, feita com materiais reaproveitados
e reciclados, como dobradiça de porta, imã
e corrediça de gaveta. “Achamos que a
solução mais viável, rápida
e barata seria adaptar as cadeiras e não fazer
obras nas calçadas”, contou à
Agência Brasil o estudante Bruno.
Os garotos apresentaram
o invento pela primeira vez, em Curitiba, na Mostra
de Soluções para uma Vida Melhor, em
outubro do ano passado.
Depois disso,
eles foram convidados para participar da Feira Brasileira
de Ciências e Engenharia da Escola Politécnica
da Universidade de São Paulo (Febrace 2009),
realizada entre os dias 17 e 21 de março, onde
apresentaram a cadeira já mais aperfeiçoada,
sob a orientação dos graduandos do curso
de engenharia mecânica da Universidade Positivo.
Segundo Bruno,
o projeto está sendo “melhorado ainda
mais” para apresentação numa mostra
que será promovida pela escola no final deste
ano. “Queremos fazer essas adaptações
em cadeiras mais simples, que não são
automatizadas, utilizadas pela população
de baixa renda. Ouvimos muito falar em inclusão
social, queremos contribuir”, disse o adolescente.
O presidente da
Associação dos Deficientes Físicos
do Paraná, Mauro Nardini, considerou a iniciativa
muito interessante, mas advertiu os jovens cientistas
que cuidem “para que o cadeirante tenha autonomia
para manobrar sem correr riscos. A segurança
é o fator mais importante.” A associação
estima que vivam em Curitiba cerca de mil cadeirantes.
Agência
Brasil