Negros
que morreram na luta contra o regime militar recebem
homenagem durante conferência
sábado, 27 junho, 2009 19:55
Kelly
Oliveira | Agência Brasil
Descendentes de
escravos que morreram na luta contra o regime militar
(1964-1986) foram homenageados hoje (27) na 2ª
Conferência Nacional de Promoção
da Igualdade Racial, aberta no último dia 25,
em Brasília.
Os secretários-adjuntos
das secretarias especiais dos Direitos Humanos (SEDH),
Rogério Sottili, e de Políticas de Promoção
da Igualdade Racial (Seppir), Eloy Ferreira, apresentaram
um totem, de 1,80m de altura por 0,80m de largura,
com imagens de 40 negros - 35 homens e 5 mulheres
– mortos e desaparecidos durante a ditadura.
A ideia da SEDH
é fazer com que o totem seja levado para vários
lugares, assim como a exposição “Direito
à Memória e à Verdade”,
cujos painéis contam a história da resistência
ao regime militar no Brasil e já rodaram mais
de 50 cidades brasileiras e do exterior.
Sottili ressaltou
que uma das maiores violações dos direitos
humanos é feita pela segregação,
pelo preconceito e pela discriminação.
“Igualdade racial é uma luta de preservação,
de promoção dos direitos humanos. Todo
o Estado deve estar comprometido de varrer do nosso
país toda, qualquer tipo de discriminação,
seja racial, de gênero, de diversidade religiosa”,
disse.
Para Ferreira,
a historiografia não teve “o cuidado
ou a preocupação de registrar a luta
dos negros ao longo da história do Brasil".
Segundo o secretário, levar o conhecimento
da luta dos negros contribui para o “fortalecimento
da identidade nacional”. “A juventude
vai saber, a nação vai conhecer que
temos heróis negros, brancos, que todos formamos
o Brasil.”
Segundo Ferreira,
ainda é preciso trabalhar mais sobre esse tema
nas escolas do país. “É um processo
superar o racismo institucional.”
Segundo ele, durante
o regime militar, as escolas ensinavam que Zumbi dos
Palmares foi um negro insurreto. “Essa inversão
de valores é hoje repudiada pela historiografia,
pela força do movimento negro e pela força
dos governos que, após a ditadura militar,
trabalharam na construção de valores
nacionais.”
A lista de 40
homenageados, com um breve histórico de cada
um deles, está disponível na internet.
A 2ª Conferência
Nacional de Promoção da Igualdade Racial
termina amanhã (28). São 1,3 mil delegados
eleitos em todo o país para discutir temas
como a titulação de terras quilombolas,
as cotas no ensino superior, religiões de matrizes
africanas, políticas para as populações
indígenas e ciganas e o combate ao racismo
institucional.
Para a secretária
de Promoção da Igualdade Racial da Bahia,
Luíza Bairros, a conferência abre caminho
para que movimentos sociais se organizem e governos
locais passem a dar atenção à
questão da igualdade racial.
Agência
Brasil