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Ilustração
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Primeira
clínica de direitos humanos da USP vai tratar
de temas polêmicos e atuais
domingo, 23 agosto, 2009 18:08
São Paulo - O centro
acadêmico da Faculdade de Direito do Largo São
Francisco da Universidade de São Paulo (USP)
inaugurou na última semana a primeira clínica
de direitos humanos. Com a primeira aula marcada para
o começo de setembro, a clínica será
composta por alunos e orientada por professores e
fará estudos de caso para fomentar iniciativas
de educação em direitos humanos, além
de colocá-los em prática.
Um dos professores que
fará parte da clínica Eduardo Bittar,
que também é presidente da Associação
Nacional de Direitos Humanos, contou que a iniciativa
era um grande projeto da entidade porque a maioria
dos cursos sobre o tema eram direcionados a programas
de mestrado e doutorado. "Os alunos vão
tomar contato com a matéria, que não
faz parte do currículo obrigatório,
e vão aprender fazendo e fazer aprendendo."
De acordo com Bittar, a
clínica escolherá um ou dois casos polêmicos
de acordo com a temática que está em
voga no ano. "Em 2009, por exemplo, ficou muito
claro os 30 anos da Lei da Anistia e o direito à
memória dos que sofreram com a ditadura militar.
Esse é um típico caso de que poderíamos
estar juntos", explicou.
A clínica estará
aberta a todos os alunos do curso de direito, do primeiro
ao quinto ano e disponibilizará 20 vagas, sendo
dez patrocinadas pela Pró-Reitoria de Extensão
da universidade, com bolsas de aproximadamente R$
300 durante seis meses.
Os alunos estudarão
as melhores formas de atuação para cada
caso: seja encaminhando pedidos ao governo, levando
demandas para o sistema interamericano de direitos
humanos, entrando com pedidos administrativos ou ajuizando
ação, a clínica estará
atenta ao que acontece na sociedade.
"Poderemos desde levar
um caso de homossexual espancado ao STF ou qualquer
outro caso importante. Se o [episódio de mortes
no presídio] Carandiru fosse hoje, por exemplo,
a clínica estaria à disposição
para lutar pelos direitos humanos", ressaltou
Bittar.
Para um dos diretores do
centro, Marcelo Chilvarquer, um dos objetivos da clínica
é mudar a imagem que os profissionais de direitos
humanos têm no mercado. "Muitos vêem
esta área como altruísta, de que não
dá dinheiro, entre tantos outros preconceitos",
pontuou.
Para Chilvarquer, o centro
acadêmico pretende lutar para que as atividades
feitas na clínica mereçam créditos
da grade curricular, além de preparar os alunos
da faculdade para atuar na área. "Queremos
oferecer um curso de alta qualidade e estimular os
alunos a pensar em todas estas questões",
explicou.
Para o ministro da Secretaria
Especial de Direito Humanos, Paulo Vannuchi, os direitos
humanos no país comumente são associados
a defesa de presos e bandidos. "Há muita
falta de informação, alguns setores
da sociedade tem um bloqueio e não entendem
que os direitos humanos defendem a vida com justiça,
igualdade, cidadania e diversidade", afirmou.
O ministro considerou
o anúncio da criação da clínica
de direitos humanos na USP é importante para
o país. "Estamos desenvolvendo a educação
de direitos humanos. [Isso] é a nossa prioridade.
Tenho pedido muito ao Conselho Federal da OAB e estamos
trabalhando para convencer os organizadores do concurso
para que 10% das perguntas dos exames sejam sobre
direitos humanos. Eu saúdo a notícia
e espero que muitas faculdades se inspirem nessa instituição,
onde estudaram Castro Alves e tantos outros heróis
nacionais."
Agência
Brasil