Ação
Civil Pública em Uberlândia (MG)
exige cumprimento da Lei nº 10.639
sábado, 5 dezembro, 2009 18:12
Uma decisão inédita
do Ministério Público em Uberlândia
levou a Ouvidoria da Secretaria Especial de Políticas
de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR)
a alertar aos gestores públicos de todo
o país sobre o risco do descumprimento da
Lei nº 10.639/03, que prevê o ensino
da história da cultura africana e afro-brasileira
em todas as escolas públicas e privadas,
no ensino fundamental, médio e superior.
Trata-se da ação civil pública
ajuizada pelo promotor de Justiça Jadir Cirqueira
de Souza, na qual denuncia a Prefeitura de Uberlândia
e o Estado de Minas Gerais. O principal motivo é o
não cumprimento da lei federal, uma das primeiras
assinadas pelo presidente Luiz Inácio Lula
da Silva, e que representa um marco histórico
na agenda brasileira de combate à discriminação
racial. O promotor solicita, entre outras providências,
a devida capacitação do corpo docente
e a inclusão no orçamento de verbas
específicas para o custeio do material pedagógico
necessário, sob pena de multa.
Na ação, Jadir Cirqueira de Souza
ressalta que "enquanto os administradores públicos
privilegiarem os aspectos meramente administrativos,
em detrimento da educação dos alunos
em sala de aula, o Brasil continuará equivocando-se
na educação, repetindo erros históricos. É preciso
iniciar novo ciclo educacional".
"Esperamos que o caso de Uberlândia sirva
de exemplo e que o Ministério Público
continue atuando em cada um dos 5.463 municípios
brasileiros, seja por meio de Termos de Ajustamento
de Conduta (TACs) ou de ações civis
públicas", afirma o ouvidor da SEPPIR,
Humberto Adami Jr. Ele lembra que a iniciativa surgiu
a partir da mobilização de entidades
dos movimentos sociais negros, que em 2005 fizeram
representação à Procuradoria
Geral da República.
Na avaliação do ouvidor, o não
cumprimento da lei implica na possibilidade de suspensão
do repasse do Fundo de Manutenção e
Desenvolvimento da Educação Básica
e de Valorização dos Profissionais
da Educação (Fundeb) aos estados e
municípios que se omitirem diante da legislação.
E mais: os gestores públicos podem também
ser enquadrados no crime de responsabilidade.
Além de ter promovido neste último
semestre seminários regionais para capacitação
dos gestores públicos e educadores nas cidades
de Campo Grande (MS), Rio de Janeiro (RJ), Belém
(Pará) e Curitiba (PR), a SEPPIR planeja um
evento nacional para fazer um balanço das
exigências curriculares para a efetiva implementação
da lei.
Saiba
mais sobre a implantação
da lei 10.639/03
Coordenação de Comunicação
Social
Secretaria Especial de Políticas de Promoção
da Igualdade Racial
Presidência da República