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Instituto Eu Quero Viver
quarta-feira, 7 agosto, 2013 12:14

A ânsia pelo desfecho das tragédias cotidianas

Divulgação
Fragilidade

Desde segunda-feira, uma das principais notícias da televisão tem sido o suposto assassinato dos pais pelo filho de 13 anos na Vila Brasilândia em São Paulo.

Os pais foram mortos na noite de domingo e há suspeitas de que o garoto foi o responsável pela morte de quatro membros da família (pai, mãe, tia e avó) além de ter se suicidado no dia seguinte, após ter chegado da escola.

No programa SPTV em que a matéria foi exibida, o apresentador e os repórteres entrevistaram um comandante da polícia militar e vizinhos em busca de informações do garoto. A maior procura era por indícios que atenuassem um crime tão frio e calculado por um pré-adolescente de comportamento cotidiano dócil e amado pela família.

Isso sempre foi uma das tentativas da mídia em tentar justificar algo meio que injustificável. Primeiramente, porque o principal suspeito se suicidou e não deixou sobreviventes de sua ação. Em segundo, porque para nós tudo tem uma causa, um motivo, um desfecho. Talvez seja pela própria característica do ser humano em achar respostas para suas questões (Não é assim com o princípio da vida, formação do universo e vida em outros planetas?); ou simplesmente pela cultura dos programas e filmes em que o desfecho é necessário para se compreender ou terminar uma história. Quando o filme não tem final, não vale o ingresso, não é mesmo?!

O que acontece é que para nós é inadmissível que um garoto bom possa executar coisas más. Isso nos deixa mais inseguros com as pessoas que estão ao nosso lado, porque a maldade então poderia se esconder nas nossas mais boas intenções. Precisamos de atenuantes para o caso, nem que seja por influência do video-game. Agora, os jogos de tiro e violência são diretamente responsáveis pelos crimes sem solução cometidos por garotos e garotas sem antecedentes de personalidade perturbada. Só porque o menino trocou a foto do facebook por uma de um jogo de violência, então já teríamos o porquê de um ato tão cruel.

Se não for o jogo é o bullying. Se não for o bullying é vingança. E se não for vingança é o quê? Então para nós o caso ficou manco, já que todos teríamos propensões a atos cruéis de forma banal. Não podemos imaginar que um crime por alguem tão inocente possa ser realizado simplesmente por um momento fora de si, por um efeito psicológico mais profundo ou por algo que ainda não conseguimos prever, descobrir ou diagnosticar. Talvez tenha sido pelos pequenos atos cotidianos já filosofados por Charles Bukowski, mas isso é inaceitável para nós "cidadãos de bem". Por quê? Como já disse, assim todos seríamos vulneráveis.

Já expliquei uma vez em minha coluna o conceito de tragédia e sua atual signficação. Hoje ela implica em grandes desastres ou situações muito chocantes, absurdas. Na mitologia grega, era o momento em que o sujeito tomava consciência de sua condição e aí se instaura o efeito do trágico. Penso que nos sentimos vulneráveis, mas temos receio em aceitar publicamente tal ideia de sermos conscientes dela e entendermos essa tragedia pessoal e coletiva que se instaura em nossa sociedade. À tragédia grega ainda não chegamos.

E assim, aparece o momento em que precisamos afirmar que Bukowski estava, se não certo, ao menos plausível. "O que leva um homem ao manicômio não são as coisas importantes. Ele está preparado para a morte ou para o assassinato, o incesto, o roubo, o incêndio, a inundação. Não; o que leva um homem ao manicômio é a série contínua de pequenas tragédias... não é a morte do seu amor, mas o cordão do sapato que se quebra quando ele está com pressa."

Leia outros artigos de Fillipe Alves Fillipe Alves especial para o FarolComunitário

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