Em
2015, vence o prazo para as nações da ONU
cumprirem os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio
(ODM, uma série de metas socioeconômicas
que incluem áreas como pobreza, educação,
igualdade de gênero, saúde e meio ambiente).
Se o Brasil, na ocasião, não tiver atingido
as metas tanto para brancos como para negros, os ODM não
terão sido alcançados no país, afirma
a ONU. De acordo com a organização, todas
as agências do sistema das Nações
Unidas e o governo brasileiro devem se empenhar nos próximos
nove anos para promover políticas públicas
de inclusão da população preta e
parda e de diminuição das desigualdades
raciais.
Sem
dúvida, é preciso enfatizar o tema racial
para falar dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio
no Brasil, em particular nos que se referem à pobreza
e à desigualdade. O Brasil tem a segunda população
que se auto-reconhece como negra, fica atrás apenas
da Nigéria. Analisando os dados do IBGE [Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística] e do IPEA
[Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada] fica
claro que a população negra está
em situação mais crítica em relação
a desemprego, educação, renda etc.,
destaca Ana Falú, diretora regional do UNIFEM (Fundo
de Desenvolvimento das Nações Unidas para
a Mulher) e coordenadora do Grupo Temático de Gênero
e Raça da ONU no Brasil.
Caso
em 2015 o país tenha atingido os Objetivos do Milênio
de forma geral, mas em um recorte racial os negros sejam
excluídos, as metas não terão sido
cumpridas, afirma a diretora. As metas têm
que ser para toda a população, elas têm
que ser transversais. Se os Objetivos forem cumpridos
para as crianças brancas, ótimo. Mas se
as negras não forem incluídas, não
vai adiantar, diz. Dados do UNICEF (Fundo das Nações
Unidas para a Infância) mostram que a proporção
de crianças e adolescentes negros fora da escola
é 30% maior do que a média nacional e é
o dobro em relação às brancas.
A
situação de desigualdade é ainda
mais acentuada entre as mulheres negras, destaca Ana.
De acordo com ela, para um mesmo emprego, os brancos ganham
o dobro dos homens negros e quase quatro vezes mais do
que recebem as negras. Além disso, os domicílios
chefiados por elas têm 70% mais chances de estarem
localizados em favelas ou assentamentos precários.
Existe uma desigualdade histórica no Brasil
que está naturalizada. Grande parte da população
acha que não existe racismo no país, mas
quando a gente olha os dados, vemos muito claro que há,
diz a diretora do UNIFEM. A discriminação
e a desigualdade têm que ser consideradas no cumprimento
conjunto dos ODM, já que as metas querem agregar
uma melhor condição de vida para todos,
completa.
O
governo brasileiro, na avaliação de Ana,
tem avançado no sentido de assegurar a igualdade
racial. A criação da SEPPIR [Secretaria
Especial de Políticas de Promoção
de Igualdade Racial] é um indicador de que há
um comprometimento e uma vontade política. E o
próprio sistema ONU tem um compromisso nesse sentido
de aprofundar a discussão sobre a temática
racial e sobre as desigualdades do país,
diz.
Como
parte dessa política, o Grupo Temático organizou
um debate com jornalistas sobre a relação
entre os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio
e o combate ao racismo e à discriminação
de gênero, que acontece nesta quinta-feira, na sede
do PNUD em Brasília.
A
atividade começa às 14h30 e terá
a presença da ministra da SEPPIR, Matilde Ribeiro,
da representante da ONU e do PNUD no Brasil, Kim Bolduc,
e de representares de outras agências das Nações
Unidas. Será exibido o documentário Objetivos
do Milênio sem Racismo, feito pela Associação
de Anemia Falciforme do Estado de São Paulo, uma
das vencedoras do Prêmio ODM Brasil, que, em 2005,
contemplou práticas bem-sucedidas em prol dos Objetivos
do Milênio.
informações e fotos do site do Programa
das Nações Unidas para o Desenvolvimento
- PNUD
17/12/2006
http://www.pnud.org.br