Brasil
só atinge ODM com avanço de negros
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Brasília,
29/11/2006
ONU vai considerar que país cumpriu os
Objetivos do Milênio apenas se as metas
forem alcançadas igualmente entre negros
e brancos |
Talita
Bedinelli | PrimaPagina
Em
2015, vence o prazo para as nações da
ONU cumprirem os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio
(ODM, uma série de metas socioeconômicas
que incluem áreas como pobreza, educação,
igualdade de gênero, saúde e meio ambiente).
Se o Brasil, na ocasião, não tiver atingido
as metas tanto para brancos como para negros, os ODM
não terão sido alcançados no
país, afirma a ONU. De acordo com a organização,
todas as agências do sistema das Nações
Unidas e o governo brasileiro devem se empenhar nos
próximos nove anos para promover políticas
públicas de inclusão da população
preta e parda e de diminuição das desigualdades
raciais.
Sem
dúvida, é preciso enfatizar o tema racial
para falar dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio
no Brasil, em particular nos que se referem à
pobreza e à desigualdade. O Brasil tem a segunda
população que se auto-reconhece como
negra, fica atrás apenas da Nigéria.
Analisando os dados do IBGE [Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística] e do IPEA [Instituto
de Pesquisa Econômica Aplicada] fica claro que
a população negra está em situação
mais crítica em relação a desemprego,
educação, renda etc., destaca
Ana Falú, diretora regional do UNIFEM (Fundo
de Desenvolvimento das Nações Unidas
para a Mulher) e coordenadora do Grupo Temático
de Gênero e Raça da ONU no Brasil.
Caso
em 2015 o país tenha atingido os Objetivos
do Milênio de forma geral, mas em um recorte
racial os negros sejam excluídos, as metas
não terão sido cumpridas, afirma a diretora.
As metas têm que ser para toda a população,
elas têm que ser transversais. Se os Objetivos
forem cumpridos para as crianças brancas, ótimo.
Mas se as negras não forem incluídas,
não vai adiantar, diz. Dados do UNICEF
(Fundo das Nações Unidas para a Infância)
mostram que a proporção de crianças
e adolescentes negros fora da escola é 30%
maior do que a média nacional e é o
dobro em relação às brancas.
A
situação de desigualdade é ainda
mais acentuada entre as mulheres negras, destaca Ana.
De acordo com ela, para um mesmo emprego, os brancos
ganham o dobro dos homens negros e quase quatro vezes
mais do que recebem as negras. Além disso,
os domicílios chefiados por elas têm
70% mais chances de estarem localizados em favelas
ou assentamentos precários. Existe uma
desigualdade histórica no Brasil que está
naturalizada. Grande parte da população
acha que não existe racismo no país,
mas quando a gente olha os dados, vemos muito claro
que há, diz a diretora do UNIFEM. A
discriminação e a desigualdade têm
que ser consideradas no cumprimento conjunto dos ODM,
já que as metas querem agregar uma melhor condição
de vida para todos, completa.
O
governo brasileiro, na avaliação de
Ana, tem avançado no sentido de assegurar a
igualdade racial. A criação da
SEPPIR [Secretaria Especial de Políticas de
Promoção de Igualdade Racial] é
um indicador de que há um comprometimento e
uma vontade política. E o próprio sistema
ONU tem um compromisso nesse sentido de aprofundar
a discussão sobre a temática racial
e sobre as desigualdades do país, diz.
Como
parte dessa política, o Grupo Temático
organizou um debate com jornalistas sobre a relação
entre os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio
e o combate ao racismo e à discriminação
de gênero, que acontece nesta quinta-feira,
na sede do PNUD em Brasília.
A
atividade começa às 14h30 e terá
a presença da ministra da SEPPIR, Matilde Ribeiro,
da representante da ONU e do PNUD no Brasil, Kim Bolduc,
e de representares de outras agências das Nações
Unidas. Será exibido o documentário
Objetivos do Milênio sem Racismo,
feito pela Associação de Anemia Falciforme
do Estado de São Paulo, uma das vencedoras
do Prêmio ODM Brasil, que, em 2005, contemplou
práticas bem-sucedidas em prol dos Objetivos
do Milênio.
informações e fotos do site do Programa
das Nações Unidas para o Desenvolvimento
- PNUD
17/12/2006
http://www.pnud.org.br