quarta-feira, 11 março, 2009 13:04
Mercado
aberto para o milho transgênico
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Divulgação/Central
Exportaminas |
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Odacir Klein*
Há quase dois anos o milho
geneticamente modificado (GM) está no topo da lista
de interesses de especialistas e agricultores de todo o
Brasil. Desde a primeira das seis liberações
comerciais de variedades transgênicas do grão
no País, em maio de 2007, muito se discute sobre
as possíveis vantagens e desvantagens de sua adoção.
Neste cenário, duas perguntas tornaram-se bastante
recorrentes: a agricultura brasileira se fortalece com a
chegada do milho GM? Há mercado interno e externo
para esse tipo de produto?
Antes de refletirmos sobre essas
questões, é necessário fazer duas considerações:
1ª) a Associação Brasileira dos Produtores
de Milho (Abramilho), entidade que represento, entende que
a decisão de adotar ou não as variedades transgênicas
do grão é exclusiva de cada agricultor; 2ª)
o milho GM já é uma realidade do setor agrícola
nacional, por desejo dos produtores. De acordo com dados
da consultoria Céleres, divulgados no final de 2008,
o plantio do cereal transgênico no Brasil deve chegar
a 6,7% nessa safra de verão e a 19% na próxima
safra de inverno – índices bastante altos se
considerarmos ser o primeiro ano de plantio do grão
geneticamente modificado e ainda haver uma baixa oferta
de sementes.
Essa rápida e relevante
adoção do grão GM responde, de certa
forma, às dúvidas do setor. Hoje, quando o
agricultor escolhe plantar o milho transgênico, ele
entende que essas variedades trarão impactos positivos
à sua agricultura semelhantes aos verificados para
os milhares de produtores em tantos outros países
onde foi adotado.
Uma vez proporcionada economia
nos custos de produção e vantagens ao meio
ambiente, o milho transgênico terá contribuído
para um setor agrícola nacional mais sustentável
e competitivo.
Quanto ao mercado externo, qualquer
reticência sobre o potencial de exportação
do grão GM não se justifica, uma vez que países
importadores do cereal consomem variedades transgênicas
há muitos anos. Os dois maiores exportadores de milho,
Estados Unidos e Argentina, possuem as maiores áreas
cultivadas no planeta com o cereal GM, o que demonstra claramente
a abertura dos mercados ao produto. Juntos, esses dois países
respondem atualmente por 80% das exportações
do grão.
O histórico de importações
da Europa também prova a ampla aceitação
do milho GM em mercados estratégicos. De acordo com
dados da USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos),
a União Europeia (UE) importou 14,6 milhões
de toneladas do cereal na safra 2007/2008, o que correspondeu
a 16% do total das importações do grão
no mundo.
Como cerca de 90% das exportações
mundiais do cereal no período foram provenientes
dos Estados Unidos, da Argentina e do Brasil, a UE certamente
importou uma quantidade significativa de milho GM. Na época,
o Brasil era o único entre os três países
que não produzia variedades transgênicas do
grão. Mesmo que o destino dos 6,4 milhões
de toneladas do milho brasileiro exportado na safra 2007/2008
fosse a Europa, ainda assim o mercado europeu teria absorvido
toneladas do cereal geneticamente modificado.
São muitas as evidências
que levam ao entendimento de que a chegada do milho transgênico
ao País revitaliza a agricultura nacional, tornando-a
mais sustentável, competitiva e diversificada. E
para afinar essa compreensão e traçar perspectivas
para o mercado brasileiro do grão, especialistas
e agricultores do Brasil e do mundo se reunirão,
no próximo dia 16 de março, no I Fórum
Nacional do Milho, que acontece durante a feira agrícola
Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque (RS). Tudo indica
que esse fórum trará previsões otimistas
para a cadeia do milho do País.
* Presidente-Executivo
da Associação Brasileira dos Produtores de
Milho
Mel Mansur |
Edelman Brasil