Em uma análise e avaliação
a opinião deve ser isenta de maneirismos. Por isso, o que se alinhava a
seguir são idéias conjunturais.
Temas recorrentes é uma boçalidade e impedem
a evolução das idéias. É bem
verdade que em time que está ganhando não
se mexe; mas, a inércia, e ou a ausência
de perspicácia, pode levar a perda da taça.
Nem sempre um resultado positivo garante a liderança.
Inspiração.
A eleição de 2008 será daqueles que
provocarem o eleitor em sua emoção. Quase
todas as pessoas esperam um messias que irá resolver
os seus problemas. E nenhum personagem encarna melhor
essa representação do que boa parte da geração
de políticos que está no poder ou gravita
ao largo dele nos dias de hoje.
Os arautos e o bolso
de cada cidadão gritam as mazelas e opressão
que causam a cobrança exagerada de impostos. Isso
é uma certeza. Entretanto, deveria haver gritos
de uma multidão indignada com a ausência
de uma fiscalização séria sobre como
e onde é aplicado regiamente o dinheiro arrecado.
Continuam a se construir palacetes, paços municipais,
grandes edifícios e estes, quando prontos já
não servem a sua necessidade pensada.
A CPMF poderia ter
sido eliminada até um teto de valor, pois era um
imposto que tinha poucas chances de ser sonegado.
O IOF atinge gente
grande. Não somente estes, é claro. É
bom pensar que se for para gerar emprego e investimentos
a alíquota deveria ser diferenciada.
Os senadores debatem
o sexo dos anjos sobre quem traiu quem e ignoram que fazem
de suas emendas parlamentares um joguete de barganhas
onde o que sobra é obras inacabadas e um país
sem plano definido de ação em infra-estrutura,
comércio e turismo. Tanto é que acham que
podem cortar as verbas do cambaleante PAC.
A discussão
sobre a implantação do imposto sobre as
grandes fortunas não avança - mas os impostos
sobre os bens de sobrevivência garantem o leite
derramado dos sonegadores.
Muitos são
impedidos de contribuírem de forma clara com doação
em dinheiro para com a saúde e a educação,
a legislação sobre doações
em dinheiro é castradora.
Não se vê
nenhum deputado do Triângulo Mineiro, onde existem
grandes fortunas, defenderem uma mudança que force
o debate e aprovação desse ato de exercício
de democracia. E essa ausência de debate leva ao
caminho do "que tudo sabe e tudo vê" e
também a estrada dos tijolos amarelos do "o
chefe mandou". Manda quem pode e obedece quem tem
juízo.
Recentemente
a Prefeitura de Uberlândia, repetiu a sua "jogada cerrada", como
muitas cidades brasileiras o fizeram ou vão fazer (para fugir do xeque-mate),
com mudanças em seu secretariado.
Pareceu abandonar
em suas resoluções o aspecto geopolítico
municipal.
A qualidade acadêmica
de seus novos timoneiros é inquestionável,
mas o alcance de suas ações, visto que são
oriundos do círculo já vicioso do poder
- limitado.
Quando se fala em
gestão estratégica a situação
vislumbrada esbarra na personalidade de quem representa
a marca a ser defendida e seus interesses públicos
e privados, pois trata-se de uma secretaria pertencente
a uma cadeia estrutural conservadora, ou seja:
-
secretários municipais enquadrados;
- secretários municipais
candidatos a cargos eletivos;
- vereadores aliados;
- vice-prefeito;
-
candidatos a vereador aliados;
e os servidores municipais, alguns parceiros, Outros nem
tanto.
A gestão estratégica
deveria desenvolver uma linguagem única da administração
municipal para informar o povo, juntando todos esses interesses.
Quem acredita que ela conseguirá somar essas forças
difusas, uma vez que herdou uma estrutura com pensamento
arraigado em diretrizes que já se mostraram ineficazes.
Numa empresa privada
a possibilidade da porta aberta mostrando o caminho da
rua para os não alinhados, e uma carteira de benefícios
com um plano de carreira sem retaliações
pessoais e burocracia garantem o sucesso da união
de setores com interesses díspares.
No serviço
público é preciso "inventar" alguma
coisa.
O famoso slogan de
alguns servidores públicos que se apegam ao cargo
é: "eu sou profissional". Esse lero-lero
vem mantendo nas hostes do serviço público
pessoas que não se reinventam e travam a evolução
das idéias - impedindo que outras cresçam.
Quem perde com isso é a cidade e o seu povo. A
perseguir esse caminho o ator passa a se ver no espelho,
e a enxergar o inimigo sem percebê-lo, tornando
a sua vulnerabilidade ativa.
Na apresentação
do "03 anos - 300 obras" a Prefeitura de Uberlândia
deixou de responder: o beneficio beneficiou quem? E de
que maneira? O cidadão viu, sabe, mas não
entendeu. É por isso que a grana escorre pelo ralo,
pois a mensagem é factual, sendo que uma possibilidade
de ela se tornar acessível ao grande público
seria a de torná-la pontual - porque asfaltar a
estrada do pau furado interfere na vida de um cidadão
do bairro Luizote de Freitas e de uma cidadã do
bairro Tancredo Neves?
Uma pesquisa independente
feita com pessoas que nunca ou pouco usaram os serviços
das UAIS identificou que esses indivíduos quando
abordados sobre o tema classificam-no como "serviço
ruim ou ineficiente". Desconhecem por completo seus
direitos de acessibilidade à saúde através
das Unidades de Atendimento Integrado de Saúde.
E aí...
Somando-se a esse
exército de bem-intencionados vem a Secretaria
Municipal de Desenvolvimento Econômico que se prepara
para receber um novo titular. O "general" que
está pra chegar precisa manter o que já
está sendo feito e ampliar a consolidação
das ações que tem gerado projetos em execução
e programas com resultados. Uberlândia é
o carro-chefe de uma região metropolitana que precisa
ser criada - a independência metropolitana da região
triangulina só não acontece porque fortaleceria
os laços separatistas seculares.
Notadamente sobre
esse universo aninha-se a Secretaria de Governo que deveria
ser o braço do executivo junto ao poder legislativo,
com as pessoas, instituições e entidades
políticas do município e os movimentos sociais.
Será que a sua estrutura agüenta isso? Talvez
a fragilidade das relações esteja na ausência
de um individuo com habilidade de negociador político.
Que auxilie quem já atua nos bastidores do poder.
Ninguém ganha jogo sozinho.
Uma outra questão
que aflige alguns cidadãos brasileiros é
o loteamento das assembléias legislativas, câmaras
de vereadores e congresso nacional. Isso quer dizer o
seguinte: "se você não é irmão,
filho, ou agregado político de quem tem mandato,
você não é confiável, mas seu
voto é".
A sua família
só serve pra votar. Ao contrário da família
de quem está no poder, pois ela, seguindo um raciocínio
meio bobo, é a escolhida - ela é melhor
do que a sua. Você acredita nisso? Parece que sim,
pois o resultado das urnas confirma isso.
Todo cidadão
ou cidadã consciente de suas responsabilidades
para com o seu país, sua cidade e seu povo, é
capaz e preparado para assumir uma função
pública.
Apagando as luzes
dessas muitas conversas, alguém duvida (quem teve
a oportunidade de acompanhar) que o grande vencedor da
eleição para o diretório municipal
do PT em Uberlândia foi o ex-vereador Gilberto Neves?
Ele conseguiu acordar lideranças e militantes petistas
que já haviam perdido a esperança na estrela
partidária com as suas inflexões.
Nem sempre quem ganha
leva.