domingo, 6 fevereiro, 2011 15:24
Saúde:
o perigo que vem de fora
Há alguns anos o Governo
Federal tenta criar subterfúgios para revalidar,
com facilidades, os diplomas de brasileiros formados em
Cuba, na Escola Latino-Americana de Medicina (ELAM). Foram
diversas as tentativas de estabelecer privilégios.
A cada uma delas a classe médica reagiu firmemente,
alertando sobre os riscos que profissionais sem comprovação
de formação adequada representariam à
vida dos cidadãos.
As entidades médicas brasileiras sempre defenderam
que os formados no exterior passem por prova para demonstrar
que estão de fato aptos para exercer a medicina
no Brasil. Trata-se de uma segurança para a população.
E a regra deve valer para graduados em quaisquer lugares
do mundo, seja nos Estados Unidos, Inglaterra, China,
Rússia, França, Japão, Argentina,
Cuba e por aí vai.
Diante da resistência dos médicos e das denúncias
da imprensa, o Governo, de certa forma, recuou. Criou
exame especial para os formados em Cuba, uma espécie
de avaliação piloto para revalidação
de diplomas.
Aplicado recentemente, o tal teste teve resultados desastrosos:
de 628 médicos, 626 foram reprovados, ou seja,
quase 100% deles. O problema é que a lição
não foi aprendida. Em vez de acender as luzes de
perigo e dar um breque nas fórmulas mágicas
para revalidar os diplomas dos brasileiros graduados na
ELAM, surge agora a notícia de que a Secretaria
de Educação Superior do Ministério
da Educação pode preparar novo edital para
dar a eles mais uma oportunidade, com nota de corte mais
baixa; e ainda estudaria fazer com que o teste teórico
deixe de ser eliminatório.
É lamentável que a cabeça de nossos
gestores esteja tão desconectada dos anseios dos
brasileiros. No conforto de seus luxuosos gabinetes, bacharéis
em medicina que nada sabem, de fato, de medicina, ditam
regras esdrúxulas sem ter a mínima noção
dos estragos que podem causar.
Dessa forma, todos os dias, vemos absurdos diversos, como
a abertura indiscriminada de faculdades médicas
sem condições de oferecer formação
de qualidade. Ganham os empresários da educação,
ganham os lobistas, e só quem perde é a
população.
É assim, com profissionais de formação
insuficiente no Brasil e no exterior, que o Governo enche
o mercado de “médicos”, como se quantidade
fosse o remédio para os males de nossa saúde.
É o mais puro engodo. Na verdade, precisamos de
qualidade, tanto quanto precisamos de responsabilidade
e de espírito público de nossos políticos.
Será que um dia chegaremos lá?