A universidade, pelo próprio
nome, pressupõe universalidade. Mas o que seria essa coisa. Seria transpor
as barreiras dos campi, que na minha simplória visão nem deveria
ter muros. Seria opor-se à reconhecida incapacidade de ter vontade de colaborar
para o bem comum com o conhecimento recebido na maioria das vezes gratuita,
via órgãos federais- em seus mestrados e doutorados - a nossas expensas,
que lhes são enviadas através dos impostos..
Parece
que tem muita ligação (via, através, a nossas expensas),mas
tudo está ligado. Chamo isso, desde algum tempo, de REPRODUÇÃO
DO CONTEXTO SOCIAL . Isso funciona assim. Quem tem continua tendo e quem não
tem vá se ralar. Ou seja, aquele que estuda em escolas particulares caríssimas
e só para ricos- acaba entrando em Universidade pública, que com
algumas exceções têm faculdades melhores que as privadas.
E os que estudam nas escolas públicas sucateadas, com professores pagando
para trabalhar, às vezes sem comida e agora sem algumas disciplinas básicas,
vão trabalhar de dia e estudar à noite, para entrar nas fábricas
de diploma que brotam como tiririca (conhece, amigo leitor?).
Nelas
o nível dos professores também são baixos, os salários
idem, a qualidade e muitas outras coisas. A forma de provar que essas só
pensam em dinheiro é fácil. Olhe bem as propagandas de época
de vestibular, parecem propagandas de queima total de estoque. Lá existem
equipamentos caríssimos, prédios suntuosos, mas isso dá para
vender. Por que quem lá trabalha, da faxina às coordenações,
para não falar na direção superior a isso (pró-reitores
e que tais), passando pelo professor, têm que ministrar "trocentas"
aulas por semana e recebe uma mixaria.
Esses
pobres professores das faculdades particulares, dificilmente conseguem trabalhar
em regime de dedicação exclusiva, ou seja, se dedicar a pensar,
planejar, dar aulas e ir para casa sem fadiga, ou com algum tempo vago, que lhe
conceda a graça de poder ajudar as pessoas que realmente necessitam, em
atividades que seu conhecimento adquirido, sabe Ele como, é para esta finalidade
também.
Para provar
isso vejam! O professor sempre tem outro(s) empregos o das particulares-
o que os obriga a fazer uma ginástica que chega a entortar os ponteiros
do relógio. Sai cedo de casa e nem sabem se volta, mas vai à luta.
Para se ter uma idéia
da diferença. Enquanto os primos ricos das públicas têm um
tempão para meditarem, dormirem em salas fechadas, ou tomarem umas escondidos
- enquanto podiam estar empregando o tempo em prol da comunidade que os cerca.
Os outros tentam driblar o tempinho de descuido de um chefe para redigir, formatar,
imprimir uma cópia, esconder em meio a outros papéis e xerocar provas
e boletins.
Esses primos
pobres recebem por hora/aula, ou seja, o tempo em que estão em sala de
aula, mas têm que levar para casa, trabalhos, provas, projetos e muitas
outras coisas, que têm que ler, corrigir, avaliar, dar nota no tempo
em que podiam estar empregando o tempo em prol da comunidade que os cerca, tenho
certeza que já ouviu essa sentença antes. Ou leram, mas recebem
um salário apenas, o que fazem em casa não conta. "Faz parte"
do trabalho de professor, que é um sacerdócio. P.... ops, quase
perco a compostura, coisa nenhuma. O magistério é uma profissão
como qualquer outra, mas recebe diferente nesta situação.
Não estou aqui querendo que os
professores das públicas se matem como os das privadas, mas que os últimos,
pelo menos tenham as mesmas condições dos primeiros.
Não
são eles que fazem paralisações e greves e, por melhores
salários, ano sim e outro? Também tem o estudante tem que estudar
nas férias. Mas eles não ficam nem aí. Escrevem, no próprio
emprego, artigos contra a violência, a fome, miséria e tudo de feio
o que há neste planeta azul, mas fo... ops, de novo, dane-se o resto, acaba
saindo um livro no final do ano, sai uma graninha extra e a gente vai levando.
O outro lado é
dos estudantes. Até nisso o coitado das privadas (desculpa se insisto na
dualidade) tem que fazer loucuras para "casar" as férias do emprego
com a faculdade e poder ir para a casa dos pais, parentes, uma fazenda de amigos,
um rancho de um conhecido que se compadece........o das públicas vai é
ser favorecido, por que o pais acham até bom que eles viajem em baixa temporada,
é mais barato.
Portanto
o universo em que vivemos nossa comunidade- não é assistida
por nenhum dos dois, que trabalham nas escolas. Mas tem que haver um culpado dessa
disparidade. Por que um aluno viaja para a praia, para o exterior e o outro fica
no cóxis do mundo, bem perto né?
Só
pode ser culpa nossa! Não é só dos dirigentes políticos!
Nós é que os colocamos lá!?! Vamos refletir e procurar saber
por que estamos com medo de atravessar a rua, andar sozinho, ou até acompanhado
à noite, não se ouve serenata, não se bebe em qualquer lugar.
Aí, em Uberlândia, como em muitas cidades, o melhor lugar para se
beber é no(s) bar(es) da rodoviária. É! Pode até parecer
loucura, mas lá tem uma porção de gente, posto policial (nem
sempre garante, mas é melhor tê-los por perto, por que alguns não
são sérios, não vamos condenar a todos).
Tenho
uns, hoje colegas, que se admiravam quando os chamava para beber na rodô
de Uberlândia (onde lecionava), para esperar um ônibus quando vinha
para Uberaba (onde moro). Mas hoje eles devem se penitenciar às minhas
sugestões, vou avisar Janu, Remi, Manu e o resto da turma que já
foi lá para lerem o "Farol".
Por
favor colegas das públicas abram os horizontes daqueles que podem mais,
para ajudar os que podem menos. Por que, afinal todo mundo TEM que pohder
(neologismo do autor para ser menos indelicado).