A Declaração dos
Direitos da Criança, elaborada pelo Fundo das Nações Unidas
para a Infância (Unicef), é bem clara: a proteção e
o desenvolvimento das crianças precisam levar em consideração
o que se pretende para o nosso futuro. Além de garantir o bem-estar
da população infantil, a discussão que se coloca atualmente
é como preparar as crianças para que se tornem cidadãos conscientes
de seu papel social.
Esse desafio
faz com que educadores, especialistas da área, organizações
não-governamentais e poder público passem a se envolver no debate,
de forma a pensar em propostas que tornem as crianças protagonistas das
ações que são desenvolvidas especialmente para elas.
Assegurar
esse direito é tarefa que exige dedicação e planejamento,
principalmente quando se trata de políticas sociais adotadas pelo poder
público, que tem o dever de colocar em prática ações
que sejam universais e de qualidade. Nesse sentido, é preciso ser ousado.
Não basta construir mais salas de aula para abrigar as crianças.
Tampouco limitar-se aos métodos tradicionais de ensino. Aliado a isso,
é necessário que elas tenham acesso à produção
cultural e a programas de promoção de saúde que propiciem
um desenvolvimento pleno e saudável.
Essa
mudança na área educacional faz com que a escola assuma um novo
papel, bastante decisivo em muitos casos: o de ser o elo responsável por
apresentar a realidade do mundo às crianças. Para isso, a rede de
ensino tem de adotar uma linha pedagógica que as incentive a descobrir
suas diversas habilidades. A quantidade e a qualidade dos estímulos oferecidos
às crianças potencializam as condições e oportunidades
para a formação de um cidadão consciente e capacitado a lidar
com as dificuldades impostas pela vida. Assim, fica clara a necessidade de incentivar
o protagonismo infantil, transformando a criança em personagem central,
capaz de interagir de maneira pró-ativa com as políticas sociais.
O
poder público tem um papel essencial nesse cenário. Compete a ele
olhar adiante, de modo que os direitos das crianças sejam devidamente respeitados
e se traduzam em conquistas para elas. Uma amostra disso é o que ocorre
no município de Guarulhos, na região metropolitana de São
Paulo, em que o protagonismo tem sido fator decisivo na formação
da identidade do aluno.
A administração
local cumpriu as premissas básicas, que por muitas vezes acabam sendo esquecidas:
o número de escolas construídas dobrou e houve ampliação
da oferta de vagas existentes nos últimos seis anos. Além disso,
a rede de ensino público da cidade promoveu avanços, com a adoção
de novos instrumentos de aprendizagem, como o teatro, as artes plásticas,
a música, a dança, o contar histórias. A isso se somam ainda
outras iniciativas, como os cursos de língua estrangeira (inglês,
espanhol, francês e italiano) oferecidos; a revitalização
das salas de leitura com a aquisição de livros de literatura infantil
para todos, inclusive para bebês; e o fornecimento gratuito aos alunos de
transporte, uniforme, material escolar e de alimentação de qualidade
as escolas adotaram o sistema self service para crianças com mais
de quatro anos.
Recentemente,
em parceria com o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, Guarulhos
iniciou o projeto Paternidade Responsável. A finalidade é dar a
oportunidade para legalizar a paternidade de crianças que não têm
o nome do pai no registro de nascimento. A iniciativa, gratuita, é realizada
em mutirões de audiências de reconhecimento. Levantamento da Secretaria
de Educação indica que há na rede municipal de ensino cerca
de 6 mil alunos que não têm a paternidade estabelecida em suas certidões
de nascimento
A promoção
de todas essas ações significa assegurar o direito fundamental para
o desenvolvimento sociocultural das crianças. Torná-las protagonistas
dos processos educacionais é condição para que se transformem
em cidadãos conscientes do seu papel social no mundo. Em pleno século
XXI, esse é o desafio que temos de enfrentar e ousar na criação
de soluções para superá-lo.