A Seleção
Brasileira do técnico Dunga e a presente conjuntura
da economia nacional têm instigante analogia.
A primeira, recheada de volantes e carente de meias
ofensivos, foi vencedora nas eliminatórias, ganhou
a Copa das Confederações e pode sagrar-se
campeã do mundo na África do Sul, mas
dificilmente aplica goleadas, em especial quando enfrenta
times de melhor nível. É uma equipe que
prioriza a defesa.
E a economia? Vejamos:
a nova elevação da Selic estabelecida
em junho pelo Copom pode ser traduzida pelo reconhecimento,
por parte das autoridades monetárias, de que
o Brasil não tem estrutura para suportar o presente
ritmo de expansão econômica. Ante tal impossibilidade,
aplica-se a retranca dos juros reais mais altos do mundo.
O movimento tático não evitará
nosso crescimento, mas esta importante vitória,
que poderia chegar até a 11% (projeção
anualizada dos dados referentes ao primeiro trimestre)
deverá limitar-se a algo em torno de 5,5% em
2010.
O mais importante
é entender o porquê de não podermos
dar de goleada no jogo do crescimento, aproveitando
o ótimo momento, propiciado por corretas políticas
públicas do governo, tanto no campo econômico,
quanto no social, e pelo esforço das empresas,
que nos permitiram vencer a crise e ingressar em 2010
com muita vitalidade, à frente de numerosas nações.
O problema é que nos deparamos com muitos impedimentos,
jamais impunes ante a arbitragem da história.
São problemas
antigos. Os mais graves são os seguintes: o gargalo
da infraestrutura, que limita a capacidade de movimentação
de cargas e encarece os fretes; a deficiência
do ensino, dificultando o preenchimento de milhares
de postos de trabalho hoje existentes, por absoluta
falta de profissionais qualificados; os impostos ainda
muito elevados, mitigando os investimentos do setor
privado; e o desequilíbrio fiscal do Estado.
Por conta dessas
questões, o Brasil fica constrito, pois não
é possível adequar a produção,
sempre impedida ou barrada nesses truculentos zagueiros
de nossos equívocos históricos. Assim,
crescer acima de determinados limites provoca desequilíbrio
entre oferta e demanda, gerando inflação.
Então, dá-lhe juro alto, utilizando-se
uma solução monetária para um problema
de origem fiscal, legal e estrutural.
Tais problemas
vêm-se acumulando há várias décadas.
Não podemos mais protelar as soluções,
que passam pelo atendimento da persistente reivindicação
da sociedade quanto às reformas estruturais.
Será fundamental, portanto, que esse tema seja
amplamente debatido na campanha eleitoral deste ano.
É essencial que às inegáveis conquistas
do atual governo, principalmente as políticas
públicas indutoras do crescimento e da inclusão
social, somem-se a modernização do arcabouço
legal e o definitivo resgate de nossos gargalos. Estamos
a um passo do desenvolvimento. Não podemos perder
esse gol!