Eu queria começar o ano com
um texto diferente. Algo motivador. Pensei em escrever sobre política,
mas começamos o ano com uma sacanagem, o aumento de impostos feito no escurinho...
E não é mole agüentar o Mantega dizendo que o presidente
prometeu que não aumentaria em 2007. Estamos aumentando em 2008...
Nada mudou. Continuam me tratando como idiota. Ano novo não existe! É
só uma convenção dos homens para medir a passagem do tempo.
Tudo que existia até dezembro do ano passado continua existindo em janeiro
deste ano.
Mas para a maioria
das pessoas, ano novo é vida nova! Hora dos planos!
Então vamos
lá. To na praia descansando, mas vou no clima...
Este
ano você vai emagrecer? Vai parar de fumar? Mudar de emprego? Vai casar?
Ter um filho? Trocar de carro? Curar a dor nas costas? Vai abrir sua empresa?
Vai fazer as pazes com seu pai? Vai?
Albert
Einstein disse que Não podemos resolver problemas usando o mesmo
tipo de pensamento que usamos quando os criamos.
O mundo continua
igual este ano ao que era no ano passado. Seu chefe mal humorado é o mesmo.
Seu colega que quer te dar aquela rasteira também continua lá. A
morena que não te dá bola continuará não dando. Aquela
dívida que não termina, ainda tem que ser paga... Os mesmos problemas
te esperam e você não vai resolver nenhum deles pensando como pensava
no ano passado, sacou?
Os mais
simplórios acharão que falo sobre mudança de hábitos.
Não. Estou falando sobre mudar o pensamento. Os hábitos mudam como
conseqüência.
Vamos
então à nossa sessão auto-ajuda de começo de ano?
Usarei a Fórmula da Inovação, a mesma que apresento em minha
palestra, que é um roteiro para planejamento estratégico. Mas que
trata principalmente de comportamento e de expectativas. É um exercício
de reflexão. Se for bem feito, ajuda a mudar o pensamento. E, quem sabe,
te facilita partir para a ação. Usarei como exemplo a necessidade
de emagrecer. Veja se serve pra você.
Nosso
roteirinho básico começa listando suas inconveniências atuais.
Você tá gordo? Quão gordo? Tá incomodado? Quais são
os inconvenientes de continuar gordo? Dor nas costas? Roupas que não servem
mais? Cansaço? Feiúra? Dores nos pés? Risco de enfarte? Ser
motivo de piada? Virar ponto de referência? Se você não tem
claros esses inconvenientes, não há motivação pra
mudar.
Em seguida pense na vantagem
futura da mudança. Se você emagrecer, o que vai melhorar em sua vida?
O que essa melhora representará em termos que qualidade de vida para você?
Quanto mais vantagens você achar, mais motivação para mudar
terá.
E então você
tem que refletir sobre os riscos. Quais são os riscos que terá que
correr pra emagrecer? Ir pra academia às seis da manhã? Parar de
tomar chope? Deixar de comer chocolate? São riscos aceitáveis? Se
não são, eles reduzirão sua iniciativa para a mudança.
O que é que dá pra fazer para reduzi-los? Mudar o horário
da academia? Mudar de academia? Arrumar uma companhia?
E
então você deve começar a comemorar as pequenas vitórias.
Passado um mês, emagreceu um quilo! No mês seguinte, outro quilo!
No terceiro mês, sente-se muito bem. No quarto mês, sumiu a barriguinha!
Dorme melhor! A calça antiga serviu! Cada uma dessas pequenas vitórias
é um multiplicador para sua intenção de mudança. Reforça
a crença de que o esforço está dando resultados. Cala a boca
dos urubus, que dirão que não vai dar certo. Recompensa quem se
entrega ao desafio.
E o velho truque é largar os objetivos genéricos,
tipo vou emagrecer, para focar em algo mais quantificável,
mensurável. Emagrecer quanto? Em quanto tempo? Esse é o segredo:
metas alcançáveis, com prazo para acontecer. Pequenos truques que
aprendemos no universo profissional e que podem dar muito certo no plano pessoal.
Então
bem-vindo a 2008. E guarde uma perguntinha:
-
Todo ano o ano muda. E sua cabeça, muda também?