A maior empresa de relações
públicas do mundo, a estadunidense Edelman, elabora desde 1998 um índice
de confiança, chamado de Trust Barometer. Anualmente ela entrevista
mais de 3.000 formadores de opinião em 18 países. Os entrevistados
possuem formação superior e idade entre 35 e 64 anos. Fazem parte
dos 25% da população com maior renda familiar em seus países.
A pesquisa recém apresentada baseou-se em entrevistas telefônicas
de 30 minutos, realizadas em Outubro e Novembro de 2007, nos Estados Unidos, China,
Reino Unido, Alemanha, França, Itália, Espanha, Holanda, Suécia,
Polônia, Russia, Irlanda, México, Brasil, Canadá, Japão,
Coréia do Sul e Índia.
A
pesquisa quer saber em que as pessoas confiam. Geralmente os produtos e as empresas
dos países emergentes despertam desconfiança e as companhias brasileiras
ficaram na 15ª posição, somente diante das chinesas, mexicanas
e russas. Na Polônia e na Irlanda, apenas 9% e 13% dos formadores de opinião
têm uma imagem positiva de nossas empresas. Na Suécia e na Inglaterra,
só19%. Nos Estados Unidos, 34%. Na União Européia, 20%. Na
Ásia, 44%. Na América Latina estamos melhor, com um índice
de confiança de 69%. Já no Brasil, 73% dos entrevistados acreditam
nas empresas brasileiras, enquanto 88% confiam nas japonesas.
Imediatamente
lembrei-me de uma pesquisa realizada por uma empresa global de propaganda no ano
2000. Foram cerca de 80 mil pessoas que nos Estados Unidos, Japão, França
e Alemanha disseram que achavam que o Brasil era único, distante, divertido,
amigável, diferente, dinâmico, que se destacava, avançado
e tradicional. Que bom, não é? Mas a pesquisa perguntava também
o que elas achavam que o Brasil não era. E elas disseram: atualizado, inovador,
honesto, confiável, sincero, de alta qualidade, útil e arrogante.
Acham que somos divertidos, mas não honestos...
Um
colega, transferido para a Inglaterra na época, dizia que cada vez que
um carregamento de peças importadas do Brasil chegava, dava frio no estômago.
Sempre vinha algo em desacordo, mal arrumado, mal embalado, faltando ou sobrando
partes, sem documentação...
Noutra
ocasião um dos gringos presentes a uma reunião global colocou na
tela um mapa mostrando o mundo dividido entre EUA, Europa e ROFA: Rest Of the
xxxxing Area ...
Globalização.
Oito anos atrás o Brasil entrava nela de cabeça. E de lá
para cá o que fizemos? Evoluímos em qualidade; aumentamos as exportações;
damos retorno aos investidores como pouquíssimos países. Como acontece
na educação e na saúde, temos diversos indicadores quantitativos
excelentes! Mas e os qualitativos?
Continuamos
como grandes exportadores de commodities, que não têm
marca. Nossas redes de televisão tiveram seus sinais espalhados para o
mundo ajudando a fazer com que o Brasil do Cidade Alertae do PCC ficasse
mais conhecido. Milhares de imigrantes brasileiros mal preparados - ou simplesmente
mal educados - contribuíram para uma percepção pouco respeitável
de nossa gente lá fora. Fomos amadores, incompetentes e relaxados com nossa
imagem no exterior. Nossas iniciativas em comunicação focam na natureza,
nas praias e no carnaval. E são neutralizadas cada vez que um turista é
assassinado em nossas cidades. E, para piorar, Lula e Cia colaram a imagem do
Brasil a Fidel Castro, Hugo Chávez e uns africanos cujos nomes não
sabemos, numa mistura venenosa de ideologia com negócios... O resultado
está na pesquisa da Edelman.
Você
faria negócios com alguém divertido, mas não confiável?
Nem
eu.