Durante uma de minhas palestras
um grupo de jovens perguntou sobre fórmulas para construir uma carreira
de sucesso. Eles viam em mim um executivo de uma multinacional, um sujeito que
fala em público com facilidade, um escritor, um radialista, enfim, e queriam
descobrir o que fiz e como fiz para chegar até ali.
Cada
um tem sua história de vida e já está mais do que provado
que duas pessoas parecidas, por mais similares os ambientes onde cresceram e foram
educadas, acabam encontrando diferentes caminhos na vida. Fórmulas não
existem. Existem métodos, existem processos, existem dicas. Sabe aquelas
coisinhas que a gente aprende quebrando a cara?
E
uma das coisas que mais gosto de dizer - para decepção da garotada
- é que um dos atributos mais importantes para explicar o sucesso que as
pessoas obtêm em suas carreiras é muito comum e todo mundo tem em
igual intensidade: o tempo.
Meus
jovens interlocutores tinham mais vigor físico, mais velocidade, mais ânimo,
mais beleza, mais capacidade de aprender do que eu. Mas eu tenho mais tempo de
vida...
Aquele executivo
que falava para eles é produto de meio século de experiências,
de tentativas e erros.
Está
por aqui desde a metade dos anos cinqüenta. Planta desde os 16 anos de idade.
E por isso colhe.
Qualquer garotão
de trinta anos pode ter mais cursos, mais empregos, mais namoradas, mais filhos,
mais viagens do que eu. Mas nunca terá mais tempo de vida. E, acredite,
isso faz diferença quando temos consciência de que a passagem do
tempo é um processo de aprendizado, de polimento.
Quem tem
essa consciência trata o tempo como aliado.
O
tempo adiciona à razão uma carga de emoção que só
conseguimos equilibrar quando chegamos à idade madura, lá pelos
quarenta anos.
Num recente
artigo da jornalista Maia Szalavitz na revista Psicology Today, encontrei uma
informação curiosa, pois sempre achei que seria o contrário:
pesquisas recentes demonstraram que quando um jovem é colocado diante de
uma decisão que envolve determinados riscos, como usar drogas para ganhar
massa muscular ou dirigir embriagado, usa certas regiões do córtex
cerebral, responsáveis pela razão. E sua análise racional
determina muitas vezes que os ganhos em estética corporal valem o risco
das drogas. Ou que a diversão naquela festa vale o risco da direção
insegura.
Já os adultos
usam regiões do cérebro mais ligadas à emoção.
Pesam os prós e os contras de forma racional e emocional e por mais que
os ganhos sejam atraentes é a decisão emocional que diz: não!
Nós,
adultos, baseados na emoção, consideramos sempre o pior cenário.
- Nossa, pai, como você
é trágico!
-
Mãe, você acha que eu sempre vou me estrepar!
Nossos
filhos consideram sempre o melhor cenário. Tudo vai dar certo, tudo vai
correr bem, tudo é tranqüilo. Eu sei. Fui um deles. Mas um dia o Senhor
Tempo me transformou em pai...
Infelizmente (ou felizmente) não há
como apressar o tempo. É impossível acelerar o amadurecimento do
processo de tomada de decisão. São a prática e a repetição
que aperfeiçoam nosso processo de julgamento emotivo.
Senhor
Tempo. Democrático senhor tempo! Homens ou mulheres, pretos ou brancos,
ricos ou pobres, todos têm a mesma quantidade. Não dá pra
emprestar. Não dá pra comprar. Não dá pra alugar.
Só dá pra viver. A diferença é o que cada um escolhe
fazer com ele.
Terminei a palestra com uma frase de Charles Darwin que é
mais um de meus motes de vida:
O homem que tem coragem de desperdiçar
uma hora de seu tempo não descobriu o valor da vida.