NOTA: O artigo A
Empresinha, publicado na semana passada, deu uma idéia do
grau de descontentamento dos brasileiros com as operadoras de telefonia celular.
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em uma semana, além de centenas de e-mails recebidos de todo o país.
A operadora TIM, retratada no texto, entrou em contato e prometeu solucionar o
problema, além de punir os culpados. Luciano Pires está no aguardo
das providências para comunicar aos seus leitores. Vamos esperar...
Qual
a principal lição que você aprendeu em relação
a liderar pessoas? Foi uma das perguntas que recebi de um grupo de jovens
executivos, todos em posição de liderança de equipes, após
uma de minhas palestras.
Respondi na lata:
- Tire a tampa.
E
então contei a história de um vizinho, também jovem executivo,
que sempre conversava comigo nos finais de semana. O rapaz começou na empresa
como estagiário e durante um bom tempo passou por várias áreas,
sempre em torno da função que queria desempenhar no futuro: engenharia.
Até que foi promovido para gerente. E estacionou. Era figura apagada, sempre
calado nas reuniões, o tipo de pessoa que, se não aparecer na festa,
ninguém nota...
Já
o chefe do rapaz era aquele tipo de sujeito opiniático, que
tem resposta pra tudo. Suas frases sempre começavam com um não.
Depois vinham as explicações, a maioria justificando a razão
para não fazer algo acontecer. Ou então dizendo que aquilo já
havia sido feito em tal lugar, que ele participara do processo e que estava tudo
sob controle. E ai de quem discordasse... Debaixo dessa figura, meu jovem amigo
permanecia apagado. Até que um dia...
Uma
das fábricas da empresa estava em dificuldades e precisava de alguém
treinado para gerenciá-la . Meu jovem amigo foi designado. Mudou de escritório.
De cidade. E de chefe. E da noite para o dia começou a mostrar brilho nos
olhos. Energia. Vontade de fazer acontecer. Pegou um pepino gigantesco que descascou
aos poucos, trombando aqui, quebrando a cara ali, acertando acolá, como
em todo processo de aprendizado. E deu certo. Até que um dia ele foi promovido
a gerente geral da operação.
O
garoto apagado havia se transformado numa estrela brilhante. Dava gosto falar
com ele. Curioso, tentei encontrar a razão para uma mudança tão
forte e repentina. E não deu outra... O novo chefe do rapaz, como o antigo,
era opiniático. De personalidade forte. Com resposta pra tudo... Mas diferente
do anterior, tirou a tampa. Ou melhor, jamais serviu como tampa.
Nunca
ficou sentado sobre os talentos de seus colaboradores, micro controlando. Sempre
serviu como chama, fervendo as pessoas que - sem tampa - transbordavam...
Essa
figura - tirar a tampa - virou uma espécie de mantra em minha vida: tire
a tampa...tire a tampa...tire a tampa...
Passei a aplicar também
em minha casa, com meus filhos. Tirando a tampa. Ampliando seus limites. Dando-lhes
responsabilidade. Deixando que transbordem.
Vão
cair, é claro. Vão se queimar. Vão escorregar... Mas existe
outra forma mais eficiente de aprender?
Líderes
que agem como tampas costumam permanecer por 20, 30, 40 anos nas empresas. Elas
gostam de gente assim. Essas pessoas acham que agindo como tampas, estão
protegendo seus comandados. E estão certas, tampas servem para proteger.
Mas também para conter, impedir que o conteúdo saia.
Meus
jovens interlocutores ouviram atentos, saboreando cada palavra que eu dizia. Depois
despediram-se pensativos. Eu sabia o que se passava em suas jovens cabeças.
Eles estavam se perguntando...
-
Sou fogo ou tampa?