Lixo
nas estradas: um problema de todos
terça-feira, 31 março, 2009 20:51
Mauro
Arce*
Alguns anos atrás,
lixo não era uma coisa que se falasse muito.
A questão sempre era meio desprezada, assim como
muitas outras questões ambientais que entraram
na agenda das empresas, governos e cidadãos somente
nas últimas duas ou três décadas.
Sabemos que tudo que é
novo leva um tempo para ser incorporado e absorvido,
por isso, ainda hoje, vemos ações que
prejudicam o meio ambiente feitas involuntariamente
e, às vezes, voluntariamente pelas pessoas. Um
exemplo típico é a tal embalagem de alimentos
jogada pela janela do carro.
Estimativas de diversas fontes
mostram que cada pessoa pode gerar de 300 gramas a 3
quilos de lixo por dia. Essa enorme variação
se deve principalmente ao padrão de consumo de
cada um. Ou seja, quanto maior for o poder aquisitivo
da pessoa, mais lixo ela produzirá.
Ao problema de geração
de lixo une-se a questão dos seus depósitos.
Deixá-los jogado na natureza é algo extremamente
danoso. Uma lata de alumínio ou uma garrafa de
Pet podem demorar 500 anos na decomposição.
O vidro, muito mais. Além disso, essa decomposição
faz a natureza absorver produtos químicos e outras
substâncias sintéticas que não faziam
parte da sua composição geológica
original, prejudicando solos e lençóis
freáticos.
Mas vamos à questão
pontual das estradas. Lembra do exemplo que falamos
acima da embalagem de alimentos jogada pela janela do
carro? Pois é, as rodovias recebem diariamente
esse tipo de viajante, que joga garrafinhas, sacolas
plásticas, papéis de tudo que é
tipo, comida etc. Apenas para se ter uma idéia,
em 4,6 mil quilômetros de rodovias, dentre as
principais do Estado, são jogados mensalmente
480 toneladas de lixo, o que significa mais de mil caminhões
cheios de lixo todo mês. Na época das férias
ou feriados prolongados, essa quantidade aumenta cerca
de 20% em média. Além do lixo de quem
passa, muitos moradores próximos das rodovias
aproveitam as estradas para se livrar de outros lixos
de grande volume como entulhos de construções,
móveis velhos, pneus.
Obviamente, esse monte de
resíduos traz conseqüências nefastas.
Em primeiro lugar, pode causar acidentes. O objeto jogado
pode atrapalhar ou assustar o motorista que vem em seguida
na estrada. Nos canteiros, pode obstruir o fluxo das
chuvas. Se houver restos de alimentos, pode atrair animais
que cruzam as pistas e são atropelados e, muitas
vezes, mortos. Enfim, sempre há conseqüências
negativas quando são tomadas essas atitudes.
É bom lembrar e alertar,
já que muitos motoristas não sabem, que
o veículo flagrado jogando lixo em vias públicas
pode ser multado, além de receber quatro pontos
na carteira.
Claro que as multas podem
inibir alguns motoristas, mas efetivamente não
resolvem o problema. A verdade é que, de vez
em quando, nos deparamos com o lixo nas estradas, mas
um motorista ou passageiro mais atento pode perceber
que esse lixo não é tão grande
quanto os números que vimos. Essa percepção
é verdadeira, graças ao trabalho sistemático
da Secretaria de Estado dos Transportes. Diariamente,
os 22 mil quilômetros de estradas são vistoriados
e o lixo e entulho recolhidos. Além disso, são
feitas campanhas periódicas para conscientizar
a população sobre o problema. Nas férias
de verão, por exemplo, os motoristas que circularam
pelo litoral receberam folhetos educativos sobre os
mais diversos temas com uma sacolinha para ser usada
no carro, evitando que aquele lixo que criamos durante
a viagem fosse para as margens das estradas.
Além disso,
tudo o que é recolhido passa por uma triagem
das empresas responsáveis pela coleta que encaminham
para reciclagem ou levam para aterros sanitários
controlados. Assim, a Secretaria dos Transportes procura
deixar as estradas limpinhas e ajudar o meio ambiente.
Cabe a você, motorista ou passageiro, fazer a
sua parte.