sábado, 24 janeiro, 2009 18:44
Como Obama
pode utilizar o exército de "amigos online"
a seu favor durante o mandato?
Moriael Paiva
Ao longo da história
dos Estados Unidos os meios de comunicação
têm sido um forte aliado dos políticos
que chegaram ao posto de homem mais poderoso do mundo.
Franklin Roosevelt utilizou-se do rádio. Nos
anos 1930, foi o primeiro presidente a se dirigir regularmente
aos cidadãos utilizando-se de um veículo
de massa.
Outros governantes
que o precederam também tiveram acesso à
radiodifusão, mas o democrata percebeu no microfone
uma ferramenta de grande influência sobre uma
população carente de um contato mais direto
com a maior liderança do País. Valendo-se
do domínio de uma linguagem própria do
rádio, em seus 12 anos na Casa Branca, Roosevelt
superou os momentos de crise e manteve a confiança
dos norte-americanos.
Em 1960, John F.
Kennedy apostou todas as fichas na televisão
para vencer seu então adversário Richard
Nixon, nas eleições presidenciais daquele
ano. Antes disso, durante os debates transmitidos pelas
rádios, o republicano Nixon mantinha vantagem.
Mas quando o jovem Kennedy mostrou domínio da
nova ferramenta de mídia, o jogo virou. Assim
como Roosvelt, ele também foi inovador ao se
valer de um veículo de comunicação
na construção de sua imagem.
Quase 50 anos depois,
Barack Obama surge como o novo líder que vai
revolucionar a forma de se comunicar. Na era da Internet,
o democrata seguiu seus antecessores de partido e já
entrou para a história como o primeiro político
a utilizar os recursos da web 2.0 em sua plenitude para
conquistar o apoio do eleitorado americano e a admiração
da população de outros países.
Durante toda sua
campanha, o time do então senador por Illinois
investiu em várias frentes. Blogs, twitter, Orkut,
Linkedin, You Tube foram alguns dos canais explorados
por Obama para vencer Hillary Clinton na convenção
do Partido Democrata e, na seqüência, ultrapassar
John McCain nas eleições realizadas em
4 de novembro.
Como resultado,
Obama conquistou um verdadeiro exército de seguidores.
Ele somou mais de 13 milhões de endereços
de e-mails, dois milhões de participantes do
site MyBarackObama.com e cinco milhões de apoiadores
em mais de 15 outras redes sociais, incluindo o Facebook,
onde 3,2 milhões de usuários manifestaram
sua preferência. No Twitter, Obama chegou a ter
mais de 160 mil seguidores, sendo o usuário mais
acompanhado através do microblogging, sucesso
do momento, que tem por base o envio de atualizações
a partir de respostas constantes à simples pergunta:
"o que você está fazendo?".
O presidente eleito
ainda angariou através da Internet mais de meio
bilhão de dólares, valor proveniente das
6,5 milhões de contribuições online
feitas por um total de 3 milhões de pessoas -
boa parte delas investiu dinheiro mais de uma vez para
apoiar a campanha, uma média de US$ 80,00 por
doação - ao longo dos 21 meses que precederam
a vitória de Obama.
O fenômeno
na Internet não parou por aí: no total,
um bilhão de emails com sete mil diferentes tipos
de mensagens foram enviados durante a campanha. Já
o sistema de mensagens de texto pelo celular criado
pelo comitê somou um milhão de assinantes,
eleitores que recebiam de cinco a vinte mensagens por
mês. De fato, esta foi a primeira grande campanha
política que elevou a web ao topo de sua estratégia
de marketing.
Desafios
Especialmente nos EUA, o
poder da grande mídia sempre foi decisivo para
o sucesso de seus governantes. Hollywood inclusive já
retratou isso em algumas de suas produções,
onde fica claro que a informação pode
chegar um "pouquinho" diferente do real, conforme
a interpretação de um ou outro.
Com tantos ‘amigos
online’ o agora presidente Barack Obama tem a
missão de provar que é possível
uma conversa direta, já que governa sob os olhares
em tempo real de milhões de internautas. Direto
de seu gabinete ou em qualquer lugar onde esteja, o
democrata poderá se fazer entender à população
por meio de todas as redes sociais disponíveis
atualmente.
Através desse
contato, Obama também poderá medir a avaliação
de seu governo, saber o que a população
pensa sobre determinado assunto e fazer com que o povo
norte-americano pressione o congresso a votar com mais
rapidez os projetos propostos por seu governo. Da mesma
forma e com igual poder de alcance, a população
poderá responder ao governo, mostrar insatisfação
e retrucar seus argumentos.
Obama tem nas mãos
a oportunidade de estabelecer um governo eletrônico
pleno, onde a colaboração é fundamental.
Em um momento tão difícil para o país,
faz diferença este contato tão próximo
e direto com o exército de apoiadores que criou
- principalmente para o desafio de corresponder à
expectativa gerada em torno de sua eleição
histórica. Afinal, em meio à tantas turbulências,
somente com ações acertadas e afinadas
ao desejo popular será possível trazer
de volta a esperança do povo americano.