quarta-feira, 8 fevereiro, 2012 10:49
O
pequeno Arthur e a inclusão escolar
A história
do pequeno Arthur, de 6 anos, é repleta de desafios
e superação. A dedicação da
família para proporcionar-lhe melhores condições
de existência é comovente.
O primeiro ano de
vida do menino transcorreu dentro de um hospital. “O
Arthur não tem um diagnóstico fechado. Ele
apresenta um atraso neurológico de causa até
agora desconhecida”, revelou a advogada Consuelo
Machado à Boa Vontade TV. Ela abdicou da própria
carreira para exclusivamente cuidar do filho.
Com apoio da equipe
médica e de sua avó Ana Nery de Freitas
Machado, que é pediatra, Arthur apresentou progresso,
de modo surpreendente: “Quando foi verificada a
viabilidade de poder ser transferido da internação
hospitalar para domiciliar, começaram os preparativos
para que ele não sofresse um choque. Não
se tratava de um bebê indo para casa, mas de uma
criança de praticamente 1 ano, com percepções,
saindo de um quarto onde viveu toda sua iniciante vida
para um ambiente totalmente desconhecido.
Então, houve
a orientação de que ele fosse, aos poucos,
passeando pelo corredor, descendo até a porta do
hospital e vendo a rua; até o dia em que ele foi
colocado numa ambulância UTI, para que pudesse pela
primeira vez conhecer a própria casa”, esclarece
Consuelo.
ATIVIDADES
EXTRAMUROS
Com os cuidados médicos e com o amor e incentivo
constantes da família, com 3 anos o pequeno Arthur
já demonstrava claro desenvolvimento. Sua dedicada
mãe recorda: “Para quem não ia andar,
falar, era completamente surdo, não ia sentar nem
ter controle da própria cabeça... uma criança
que já está andando, jogando videogame,
brincando, é, de fato, surpreendente”.
Em decorrência
dessa melhora visível, os médicos indicaram
o início da socialização dele. “Inicialmente,
com o que eles chamam de atividades extramuros, o Arthur
sairia em curtos espaços de tempo para fazer uma
sessão de equoterapia [método terapêutico
e educacional que utiliza o cavalo] para fazer um passeio
próximo, sempre verificando a viabilidade e as
condições clínicas dele naquele momento.
E a frequência numa escola regular na qual o Arthur
deveria ser incluído para que se socializasse e
pudesse observar e se espelhar nas outras crianças
da mesma idade”, relata a advogada.
MEDO DO DESCONHECIDO
O que parecia algo fácil para a família
de Arthur tornou-se mais um desafio. A advogada Consuelo
Machado descreve: “Visitei várias escolas
e quando optei por uma encontrei uma barreira muito grande.
Obviamente, ninguém me deu um documento dizendo
que não estava aceitando o meu filho. Eles começaram
a postergar, a impor exigências, a dizer que precisavam
consultar o advogado da escola, a exigir que eu assinasse
um termo de responsabilidade sobre a doença do
meu filho. (...) Foi uma situação desagradável,
que durou — na minha tentativa de fazer tudo amigavelmente
— uns dois meses, até que finalmente notifiquei
a escola extrajudicialmente e, em 24 horas, o Arthur estava
devidamente matriculado”.
Para Consuelo Machado,
o medo do desconhecido ainda prejudica a inclusão
escolar de crianças deficientes. “O ser humano
tem medo de enfrentar aquilo que desconhece. Conheço
histórias de outras famílias que enfrentam
a mesma dificuldade. Esse problema tem de ser conversado,
discutido, e não pode de forma nenhuma prevalecer
ao direito maior que é o melhor interesse da criança:
o direito fundamental dele de ter a sua escolarização,
a sua permanência na escola e a sua socialização”.
O tema requer, há
tempos, atenção de toda a sociedade. Da
vida do pequeno Arthur podemos tirar lições
importantes de amor, determinação e solidariedade.