terça-feira, 27 março, 2007 19:25
O
tamanho do lobby
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Não
dá para viver só no remendo |
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A crise no setor aéreo
brasileiro, o plantio de cana e o destilo de álcool
no centro-oeste, a soja, o milho e o preço do pão
francês. O jogo rançoso de poder e interesse
precisa mudar.
Na máxima bíblica,
a mão esquerda não deve saber o que faz a
direita. Remete ao conceito de desinteresse e espírito
devotado a fazer o bem sem que haja qualquer condicionante
nisso. O puro espírito da inclusão social.
Na lida diária do mágico,
tanto melhor o efeito, quanto mais os detalhes puderem ser
camuflados com alguma coisa que chame mais a atenção
dos olhos, na direção contrária onde
ocorre o evento.
O avião da Gol caiu porque
o setor aéreo está em crise ou a crise aérea
se instalou porque o avião caiu?
A quem interessa tanto o "caos"
instalado na aviação? Será a vontade
de privatizar a Infraero ou será necessidade de preencher
cótas de publicidade das companhias nos veículos
de comunicação?
Lembro que quando a Telefónica
de Espanha assumiu a Telesp em São Paulo, da noite
para o dia pipocaram defeitos no sistema telefônico
da maior cidade do país, um verdadeiro apagão
telefônico e não se falava noutra coisa. Parecia
que São Paulo, nunca mais iria se comunicar com o
resto do país e do mundo. Uma tragédia.
Foi só a Telefónica
entrar anunciando que o apagão telefônico acabou.
Coincidência?
Que culpa teria a empresa espanhola nas primeiras 24 horas
de posse do serviço telefônico do maior estado
da federação?
Esse joguinho, sabor puro ranço,
precisa acabar. No Brasil, temos o péssimo hábito
de guardar o defunto na sala, só para ver se morreu
mesmo, ou se dá para iludir as visitas, fazendo-as
crêr que o tal defunto "tá vivinho da
silva". Bom, para ser mais justo, a humanidade ainda
se comporta assim.
Penso que o único jeito
de acabar com isso é instruindo o povo no sentido
da visão crítica, porque no sentido do ilusionismo,
somos "instruídos" todos os dias.
Será necessário
admitir de viva voz que o país vai mal, não
porque não tenha condições de ir bem,
mas porque estamos anestesiados demais, carentes de senso
crítico, aceitando tudo com uma inexorabilidade injustificada.
Daí podemos entender o
porque do extremismo nas ações de certos grupos
sociais, tão nefasto quanto a síndrome de
Maria Antonieta que acomete uma parcela ainda muito grande
das classes dominantes. É que toda ação
gera uma reação. Não é exatamente
simples, passar fome na porta do restaurante, não
é exatamente fácil assistir o noticiário
das enchentes entremeado de anúncios da loja tal
e o moderníssimo refrigerador, muito parecido com
aquele que a água levou.
Na parábola dos porcos
assados, um incêndio acidental, tostou os porcos e
ao experimentarem a carne cozida, os cidadãos daquela
terra, que sempre os haviam comido crús, ficaram
extasiados. Daí empenharam-se em criar incêndios
cada vez mais sofisticados, para que os porcos pudessem
ser assados e comidos.
Até que um dia, um tal
Zé Bom-Senso, caiu na besteira de sugerir a construção
de fornos para o tal ato, e com isso poupar muitos recursos,
mão de obra, enfim otimizar a insana logística.
E recebeu uma severa carraspança do Chefão,
sobre quanto da máquina instalada ( leia-se a burocracia
toda envolvida) teria que ser desmontada para dar lugar
à estapafúrdia idéia de assar os porcos
num forno.
Jogamos coisas demais no lixo,
porque o caminhão passa e recolhe. Desperdiçamos
água porque "podemos pagar". Estamos queimando
as florestas para assar alguns porcos.
Por que não criar sistemas
que reduzam drasticamente o consumo dos hidro-carbonetos,
oferecendo bom transporte coletivo? Por que não modernizamos
a gestão dos alimentos impedindo o desperdício,
aproveitando todo o potencial na própria fonte? Por
que não estimulamos as pesquisas por matrizes energéticas
que não dependam de extensas áreas de terra
para serem produzidas? Sim, sim, a ciência está
o tempo todo pensando e agindo. Estou falando é de
mobilização social. O momento de parar o incêndio
na floresta é agora. Antes que seja tarde.
O bem-estar na Terra
não pode ser refém do modelo econômico
capitalista. E nenhuma criança precisa mais morrer
de forma estúpida para que a sociedade como um todo,
seja possuída de uma sadia indignação
e pare de aceitar as coisas como estão. Ou será
que é tão difícil classificar a pena
pelo tipo de crime, ao invés de pela faixa etária?
É hediondo? A pena é
severíssima, não importa a idade do criminoso
e se um maior de idade arrastou um menor consigo, penas
ainda mais duras. Não só tempo, mas muito
esforço físico e trabalho, trabalho, trabalho.
Se o brasileiro souber o tanto
de terra devoluta e/ou improdutiva que existe nesse país,
iria fazer greve de fome na frente dos prédios públicos
até que não houvesse mais clima para levar
usinas de álcool para o pantanal ou plantações
de soja, milho, pinhão manso, mamona e por aí
vai, sobre o que restou do cerrado e das várzeas.
Nem sonhariam em tocar na nossa exuberante Amazônia.
E como no Brasil ninguém
consegue, por falta de curso técnico especializado,
fabricar pão francês de 50 gramas (isso só
é possível na Noruega ou na Suécia)
passamos a fabricá-lo de qualquer jeito. Tenho pesado
os pães todos os dias por aqui e já flagrei
pãozinho de 82 gramas, lógico que se o hábito
ou a necessidade é de 10 pães, ninguém
consegue levar meio-quilo, mas oitocentos e vinte gramas
e evidentemente pagar mais caro por isso.
O que seria então mais
inteligente? - Limitar ao mínimo a disponibilidade
de energia elétrica nas celas dos presídios
ou gastar pequenas fortunas instalando sofisticados sistemas
de bloqueio? Usar a iluminação zenital para
iluminar as celas e que todo mundo vá dormir depois
que escurecer.
Valha-me Deus, a energia da minha
casa é cortada se estiver com contas em atraso, idem
a água, o telefone. Eu preciso trabalhar e ganhar
todo dia e ninguém dá moleza não. Nas
cadeias tem comida, banho quente, banho de sol, TV, e bandido
dá entrevista na televisão e sai na capa das
revistas e jornais.
É mais fácil assar
o porco no forno, ou continuar queimando a floresta?