quinta-feira, 17 novembro, 2007 23:05
Aqualândia
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No último dia 12 caiu
uma chuva daquelas por aqui. Daquelas de arrancar telhado
e árvore, igual a filme do Super-Homem. A fragilidade
dos nossos conceitos de infra-estrutura, geram transtornos
quando isso acontece.
Na fábula dos
Três Porquinhos, enquanto o Prático mora numa
casa sólida, construída com tijolos e cimento,
Cícero construiu uma de palha e Heitor, uma de madeira.
Construíram casas frágeis, porque assim seria
mais rápido e eles poderiam logo ir brincar. O Lobo,
por sua vez, queria comê-los. E ai só a casa
do Prático resiste aos sopros do Lobo. No fim Cícero
e Heitor refugiam-se lá, prometendo deixar de lado
a preguiça.
Colocar a culpa no prefeito não
pode. Isso é conversa politiqueira, infrutífera
que não acrescenta nada nas soluções
almejadas por todos os habitantes de centros urbanos. Uberlândia
se enquadra nessa definição.
Uma das vítimas a avenida
Rondon Pacheco expôs o que o uberlandense anda jogando
pelas ruas.
Quando eu cheguei por aqui, escutei
e ainda escuto, que jogar lixo no chão ajuda a manter
os empregos da concessionária de limpeza da cidade.
Pasmem quantos lerem isso para além dos limites da
cidade.
Um dos resultados desse pensamento
exótico é que todo o lixo que não foi
recolhido por algum motivo, vai parar nas galerias e bocas
de lobo.
Isso sem contar com os inúmeros
casos de areia e pedra colocadas diretamente na calçada
e no meio fio que acabam parando na tubulação
pluvial da cidade. Muita gente por aqui adora fazer uma
obrinha em casa e usa o passeio e o meio-fio para misturar
a massa e depois lava com mangueira até a mistura
chegar nos coletores. Adivinha o que acontece?
Há ainda os fantásticos
copos de milk shake e saquinhos de batata e outros petiscos
vendidos nos terminais de ônibus e que após
consumidos, em meio às viagens são arremessados
sem nenhum escrúpulo pela janela do coletivo.
Muita gente se apressou a colocar
as fotos da tragédia no orkut, nas listas de e-mails,
esquecendo que muita gente que viu e está vendo essas
fotos, colaborou para o entupimento da rede com suas ações
insensatas.
Pobres dos proprietários
de veículos e comerciantes que pagaram mais uma vez
com prejuízo material o exotismo de uma cidade de
cabeça ôca, que joga lixo no chão, que
incendeia lixeiras, quebra orelhão, pega beirão
em ônibus e não sabe o que é fila. Leia
este outro
artigo e ponha a mão na consciência,
ou mostre para os Cíceros e Heitores metafóricos
que você conhece. A pressa é inimiga da perfeição.
Lembre que a tubulação
subterrânea da cidade e para coletar água e
não caminhão compactador.