domingo, 9 dezembro, 2007 16:50
Panis
et Circensis
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Ainda
estamos na infância, muitos pirulitos são
distribuídos, por "zelosos papais"
que não querem que reivindiquemos coisas mais
substanciais. Continuamos com o "Papai do Céu"
está te olhando para afugentar nossas birras |
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Interesses difusos andam enchendo
algumas reuniões que freqüento. Crescem na mesma
proporção os participantes quanto mais farta
for a mesa. Não interessa muito o que será
discutido, mas o cardápio.
Disfarçados de gente preocupada
com os destinos da nação, do aquecimento global,
das comunidades desassistidas, da coleta seletiva de lixo,
dos direitos das minorias que se mostram cada vez mais maiorias,
importa mesmo é o rega-bofe.
Na falta de outro argumento as
bolas da vez são o Natal e o Ano Novo, profundamente
descaracterizados e servindo de trampolim para toda sorte
de mazelas e apelos sentimentalóides político-eleitoreiros,
marqueteiro-propagandísticos tornando-se festas sem
propósito.
No Japão de antes
da II Guerra Mundial não havia Natal, um costume
levado pelos soldados norte-americanos. Nessa época
do ano a Terra do Sol Nascente é marcada por solenidades
diversas, rituais e celebrações. O Shogatsu
não se parece em nada com o que temos por aqui. Aqui
temos agora o Rap das Armas.
O Brasil está sem identidade,
sofrendo de anomia social com o povão sendo conduzido
pela mesa mais farta. (leia-se, distribuição
de guloseimas absolutamente desprovidas de valor energético).
As insurgências nascem desse estado apático
de coisas, onde todo mundo sabe o que precisa ser feito
e ninguém faz nada.
O modelo velho se estrebucha,
tentando de todo jeito um modo que coopte adeptos para sua
causa, mas a raíz dos problemas não é
atacada.
Julgar o status quo do agora
é passível de leviandade, toda mudança
é dolorida e confusa e se éramos como criança
imberbe e inocente, agora na adolescência, sofremos
as dores do crescimento, desengonçados, questionadores
do porque tudo não é mais como antes. Só
em retrospectiva poderemos avaliar com mais precisão.
Na infância bastava um
pirulito, um confeito colorido e nossas inquietações
emocionais eram sossegadas. Na adolescência essas
inquitações são "sossegadas"
com shows megalômanos e muito barulho e álcool
Na idade adulta corremos atrás
do dinheiro e da realização material e depois
da satisfação interior. Será que daqui
há alguns anos, teremos adultos?
Ainda estamos na infância,
muitos pirulitos são distribuídos, por "zelosos
papais" que não querem que reivindiquemos coisas
mais substanciais. Continuamos com o "Papai do Céu"
está te olhando para afugentar nossas birras.
Consciência é mais
do que isso. Oxalá saibamos quebrar os velhos paradigmas
de forma pacífica, ou quase.
De qualquer forma, espero
que o Brasil entre em 2008 e quero dizer com isso "Nós
os Brasileiros" com propósitos renovados, com
espírito mais crítico e com conhecimento de
causa. Kinga Shinnen ( Desejo um Feliz Ano Novo prá
vocês). A outra opção é continuar
na base do "Panis
et Circensis".
"Quo usque
tandem abutere, Catilina, patientia nostra?" (Marco
Túlio Cícero)