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Instituto Eu Quero Viver
sexta-feira, 4 junho, 2010 21:40

Saindo da Idade Média

 
 
 
 
Marcello Casal Jr /AgenciaBrasil
 
   
  Vila Estrutural  
     

Nos idos do ano 1000 d.C., o sistema feudal entrava em decadência e começavam a surgir os burgos, pequenos agrupamentos humanos ao redor das muralhas dos castelos.

Artesãos, artistas, comerciantes, banqueiros iam dando forma ao que chamamos hoje de cidades. O mundo de então possuia estimados 265 milhões de habitantes.

Naquele momento da história da humanidade, ninguém fazia ideia do que fosse saneamento básico; o lixo e o esgoto ficavam pelas ruas e as pessoas morriam de peste.

A limpeza era feita pelos cachorros, gatos, ratos e pelas chuvas que carreavam aquela lambança para os cursos d'água, que, contaminados, matavam ou traziam doenças.

Em 1698 o inglês Thomas Savery, inventa o primeiro motor à vapor e abre a porta para a Era Industrial que iria colocar o mundo em ritmo acelerado. No final dos anos de 1700, a Inglaterra via a expansão da indústria têxtil e em 1800, Alessandro Volta, criava a primeira bateria. Nós já eramos 900 milhões.

O meio ambiente ainda era uma lástima, cortávamos árvores, cobríamos as ruas com pedras, impermeabilizávamos o solo, erguíamos chaminés e o lixo era cada vez maior.

Hoje em dia, com quase 7 bilhões de habitantes, continuamos a praticar os mesmos hábitos da Idade Média, com o diferencial que agora somamos ao lixo orgânico, uma infinidade de materiais sintéticos de vida útil curta e degradação lenta.

A água e o solo de hoje são os mesmos de mil anos atrás e muita gente ainda discute ações para diminuir os impactos da poluição que nós mesmos produzimos.

Continuamos comprando inúmeros produtos embalados sem nos perguntarmos o impacto que eles provocam no espaço que ocupamos para viver ou se são realmente necessários.

Temos a dengue trazida por um mosquito que adora a água parada nas garrafas e artefatos impermeáveis que deixamos ao relento. Temos a gripe H1N1 que encontra campo fértil em péssimos hábitos de higiene. Temos também remédios e vacinas, mas não mudamos nossos hábitos de consumo e vivemos de maneira cada vez mais artificial.

Construímos casas, da mesma forma que os primeiros burgos, sem ventilação, sem aproveitamento da luz do sol, cimentamos os quintais e erguemos muros, como se burgueses medievais ainda fôssemos.

Experimente ver a área de lixo de um grande show, o banheiro de um bar movimentado ou procure informações sobre quantos lixões a céu aberto existem no Brasil.

Não dá para falar sobre preservação ambiental, dos recursos hídricos, do ar. Não dá para continuar achando que são as leis e as multas que vão corrigir os problemas ambientais ou o efeito estufa. Não dá para continuar pensando que o caminhão de coleta leva para um lugar distante e seguro o monte de resíduos que produzimos a cada dia.

Porque vivemos na mesma Terra, bebemos a mesma água e respiramos o mesmo ar que os nossos ancestrais e porque temos tecnologia e conhecimento científico suficiente para não continuar repetindo as barbaridades que os seres humanos de antanho praticavam, por puro desconhecimento.

E não dá para comemorar o Dia Mundial do Meio Ambiente, sem assumirmos, cada um de nós o compromisso pessoal e interior de fazer diferente para mudar a realidade que nos atormenta, como atormentou o homem medieval. Aquele porque não sabia, nós por absoluta falta de atitude.

5 de junho de 2010 - Dia Mundial do Meio Ambiente. Há 38 anos comemoramos essa data, mas está na hora de trocar a agenda pela ação.


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