domingo, 25 julho, 2010 18:39
Liberdade
para Sakineh. Respeito para com a vida
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Divulgação |
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Sakineh
Mohammadi Ashtiani |
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Uma mulher, entre
tantas no mundo que passam apuros terríveis, ficam
mutiladas, suportam humilhações e preconceito,
corre o risco de morrer.
Eu respeito profundamente
o direito à diversidade em todas as suas manifestações,
as culturas, os costumes, mas, não aceito a barbárie,
venha de quem vier.
Maria Islaine de Moraes,
foi morta pelo ex-marido e as câmeras do seu salão
de beleza registraram a insanidade, Mércia Nakashima
e Eliza Samúdio morreram e não se tem prova
do autor, Maria da Penha, a da lei, ficou tetraplégica
e isso não deveria mais ser notícia. Motivos
torpes, todo ato de retirada da vida ou de incapacitação
para viver plenamente tem um motivo torpe. Nada justifica.
Agora vem à tona
o caso de Sakineh Mohammadi Ashtiani, uma mulher iraniana,
condenada à morte por suposto adultério e
o mundo inteiro se levanta para defendê-la. Safiya
Yakubu Hussaini e Amina Lawal Kurami ambas nigerianas estiveram
a ponto de morrer apedrejadas.
A internet permite que
hoje rapidamente, o mundo inteiro saiba o que acontece em
qualquer lugar e isso é o prenúncio do fim
das tiranias e dos exageros. Cabe-nos, manifestarmos nossa
indignação, assumirmos a posição
de defesa do direito dessas pessoas de forma tão
clara quanto se fosse conosco.
Essas covardias acontecem
em maior ou menor escala, todos os dias, mas devem cessar
e a ferramenta é o protesto formal. Não só
em favor das mulheres, mas para qualquer ser humano em situação
de exclusão ou preconceito. Essa relação
linear com a vida é que faz com que existam pessoas
que acreditam que são superiores ou corretas, que
o seu modo de ver a vida é que é verdadeiro
e inquestionável.
Humildemente, não
me cabe questionar os valores culturais, morais e religiosos
do Irã, nem da Nigéria, nem de ninguém.
Nem me cabe questionar os motivos interiores que culminaram
nas barbaridades cometidas com as mulheres brasileiras citadas
anteriormente.
E na mesma humildade
pedir que sejamos muitos a não cometer nenhum tipo
de violência contra quem quer que seja, por motivo
algum, porque todos tem direito de ser e agir segundo sua
consciência, mas respeitando o direito do outro. Para
que não haja guerra é bastante depor as armas.
O governo brasileiro,
que tem dado tantas mostras de integração
com os povos do Oriente, da África, das Américas,
pode
oferecer asilo a esta senhora e pela diplomacia dar o exemplo.
Oferecer sim, intercâmbio comercial, cultural e humanitário
e exigir em troca o pleno respeito aos direitos humanos
como condição primeira, sem hipocrisia. Nós
temos cacife para isso.
O Mahatma Gandhi, em
certa ocasião, recebeu de uma mãe o pedido
de que ele dissesse ao filho dela que parasse de comer açúcar
e o Mahatma, pediu-lhe para voltar uma semana depois. No
regresso da mãe com o garoto, Gandhi olhou fixamente
nos olhos do garoto e disse firme - Pare de comer açúcar.
Ao que a mãe surpresa retrucou. - Mahatma, porque
não falou isso na semana passada? E Gandhi respondeu
- Na semana passada eu ainda consumia açúcar.
Vamos portanto engrossar
o côro pela libertação imediata de Sakineh
Mohammadi Ashtiani, mostrando que não
somos coniventes com nenhuma manifestação
de violência, para termos autoridade moral de acabar
com as violências. Construir o mundo dos sonhos só
é possível com as pequenas atitudes de cada
um.