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Instituto Eu Quero Viver
sexta-feira, 24 setembro, 2010 14:23

Dois pesos e duas medidas

 
 
 
 
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Coerente com o que disse aqui há algumas semanas, vou lamentar a execução de Teresa Lewis, americana, executada ontem com uma injeção letal numa prisão do estado da Virginia.

A semelhança com a iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani está no tipo de acusação, assassinato. A condenação imposta às duas, a morte. Uma no Irã seguindo os preceitos da sharia, conjunto de regras baseadas no Alcorão, como penas para diferentes tipos de crimes, que podem ser interpretados de acordo com a vontade de cada país ou corte. A outra nos Estados Unidos, um país cristão e que em algumas regiões acata a Lei de Talião, "olho por olho, dente por dente".

Os pedidos enviados ao presidente Mahmoud Ahmadinejad surtiram efeitos e a Corte iraniana, suspendeu a execução. Os pedidos enviados ao governador Bob McDonnell é à Suprema Corte dos Estados Unidos, não e Teresa Lewis, morreu.

O próprio presidente iraniano, tratou do assunto em seu pronunciamento na Assembleia Geral da ONU, em território americano.

O apelo aqui então não é para o perdão mas para a comutação da pena, de morte para perpétua, porque matando, cessam todas as esperanças de mudança.

Talvez Teresa e Sakineh tenham sido movidas pelo mesmo motor, cada uma delas segundo seus próprios valores interiores, uma fraqueza, da qual todo ser humano é passível e que cada um resolve do modo que lhe soa como o melhor. A verdadeira dor de cada uma dessas mulheres, vai dentro delas e ninguém será capaz de descobrir a ponta desse fio.

Os argumentos dos opositores da pena de morte ao Irã e aos Estados Unidos da Amérca são parecidos e o comportamento do Irã, pelo menos nesse caso, foi mais sensato.

Ninguém vai deixar de vender ou manter relações comerciais com os EUA por conta dessa execução, já o Irã sofreu protestos globais por conta da decisão que ia ser tomada. Dois pesos e duas medidas. Teresa Lewis, não mereceria uma segunda chance, tal qual aquela que se pede por Sakineh Mohammadi Ashtiani?

Condenar à morte nos Estados Unidos da América é diferente de condenar à morte no Irã? O que vem mesmo à tona é a pena capital. Não será possível no mundo de hoje encontrarmos soluções diferentes? Só me restaram perguntas.

Por enquanto descanse em paz Teresa Lewis


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