terça-feira, 2 novembro, 2010 23:50
Aos
que se foram e aos que ficaram
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Michelangelo |
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A
criação de Adão (detalhe) |
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Lidar com as perdas,
talvez, seja tarefa das mais difíceis nas nossas
vidas. Podemos reagir de diferentes formas diante delas,
mas só o que vai em nosso coração (e
só cada um é capaz de avaliar isso) é
que é verdadeiro.
Primeiro um beijo no
coração dos que viveram hoje, a lembrança
de alguém profundamente especial que já não
está mais por aqui e por isso choraram ou se recolheram.
Tenho como crença que do outro lado, cada um deles,
sentiu a mesma coisa e que por isso mesmo mostraram que
seguem presentes nos corações dos que ficaram
e vice-versa.
Depois celebrar a oitava
superior que cada um é, crendo que aquele que se
foi, seguiu de alguma forma melhorado naquele que ficou.
Esse era o sonho deles, mesmo que não soubessem disso.
Pessoas há em
nossa vida que passaram e deixaram em nós sua marca,
outras mesmo deixaram uma sequência do DNA nas nossas
vidas e portanto cabe-nos de algum modo fazer o mesmo. O
nome disso é evolução, em seu sentido
mais sublime.
Amanhã, quando
levantarmos para mais um dia, haveremos de lembrar que aqueles
que aparentemente nos deixaram, estão ali, nos nossos
gestos, nossas crenças, nossas manias, nossos objetivos
de vida. E como são fortes esses traços que
alguns inclusive negam.
Um dia de lembrança
de perdas, precisa ser necessariamente um dia de votos de
encontros para que a vida não perca seu sentido.
É fato que a lagarta que virou casulo renascerá
como borboleta e que a pequena bolota, surgirá um
dia como um frondoso carvalho e que a vida seguirá
seu curso independente e apesar de nós e que mesmo
assim de alguma forma seremos imprescindíveis para
que toda essa dança marque cada um de seus passos.
Amanhã, quando
levantarmos, será aquele sorriso que já não
vemos, que sorrirá para nós no espelho, será
aquele cheirinho de café que trazemos na memória,
que embalará o começo do nosso dia. Só
para lembrarmos que tudo permanece vivo, porque vida é
tudo de que somos feitos. Os que se foram e os que ficaram,
tornando-se um só.
E se o seu coração
de algum modo ficou apertado é o afago da mão
que pensamos distante, da voz que se perdeu na correria
do dia-a-dia, antes que pudéssemos perceber.
Que a reflexão
do dia que termina seja a luz do dia que se aproxima, logo
ali atrás do Sol que nos espera para mostrar que
tudo continua e ainda mais bonito, graças aos que
um dia passaram, nos fizeram e nos deixaram para alegria
e realização de suas memórias e sonhos
inacabados.
Lidar com as perdas,
talvez, seja tarefa das mais difíceis nas nossas
vidas e talvez o único e precioso remédio
seja viver melhor e fazer melhor tudo aquilo que nos ensinaram.
Tudo que deixaremos por aqui quando for a nossa vez de legar
a outros a tarefa de continuar.