sábado, 18 dezembro, 2010 1:03
WikiLeaks
como estado de espírito
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ilustração/Pedro
Reis/FarolCom |
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Vivemos exatamente na
Era da Comunicação, uma era que não
é sobre o certo ou o errado, mas sobre perceber que
toda informação tem dois lados que precisam
ser observados, meditados e peneirados.
A água do mundo
é a mesma que nossos antepassados conheceram, a terra
ídem, o ar, da mesma forma e o comportamento do ser
humano também. Ouvindo, lendo, conversando, pensando
e testando sobre tudo isso, poderemos chegar a um consenso
para a ação.
Não fazer, ou
não querer conhecer determinada coisa ou assunto,
leva infalivelmente ao "achismo", pai e mãe
de todo o preconceito. A Vida é dinâmica e
todos os seres humanos tem as mesmas necessidades básicas
e no meu modo de ver, ensinar a todos que há oportunidades
para todos garantirem essas necessidades e que isso não
está na dependência de "líderes",
"salvadores da pátria" ou ideólogos
de uma idéia só é a grande sacada que
vai tirar o poder da mão de uns poucos, para distribuí-lo
nas mãos de todos. E tudo isso sem tirar nada de
ninguém.
Agradeço todos
os dias por meus amigos e os nem tanto, por me mostrarem
que o mundo não é monocromático e por
conta disso não pressuponho que as minhas idéias
ou pontos de vista estejam sempre corretos. Mudar o rumo
é difícil, mas é aí que mora
a magia da coisa.
"Vade Retro"
de ser unanimidade.
"Eu prefiro
ser uma metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião
formada sobre tudo".(Raul Seixas)
Quando o WikiLeaks derrama
milhares de informações sobre os bastidores,
sobre a roupa suja das relações internacionais
está dando o recado para que as nossas conversas
sejam coerentes com nossas atitudes, para que derrubemos
a máscara, para que enxerguemos os dois lados da
moeda, para que derrubemos o mito do "mocinho"
e "bandido", para que o discurso e a atitude não
conheçam um abismo entre si.
Ler João
Pedro Stédile no Porradão do Celso Athayde,
me dá uma dimensão mais exata do pensamento
dele, porque fica bem claro que não houve edição
no texto, que o cara está lá expressando seu
pensamento. Não concordo com ele, vejo apenas apologia
de esquerda, mas é soberano o direito dele de expressar,
praticar, pregar o que ele acha correto.
Quando o Stédile
diz o que acha certo e aponta quem ele acha que está
errado, pratica o preconceito. Uma nação se
constrói com diversidade. No meio da discussão
está o grosso da população que ainda
não tem água, esgoto, educação,
trabalho, comida. FHC não fez tudo, Lula não
fez tudo, Dilma não fará tudo e o Brasil não
se resume a esses três personagens. O que seria do
verde se todos gostassem do azul? Eu consigo ler uma entrevista
do Stédile, como leio uma do FHC e apuro dos dois
a essência do melhor e isso é o que talvez
falte ao povo brasileiro, a oportunidade de aprender a ponderar
entre duas alternativas. As coisas todas do mundo são
interdependentes e todo exagero sempre leva ao fracasso
e ao esgotamento. "Modelos" são utopia,
a vida é feita de contrastes.
Ler Reinaldo
Azevedo no seu blog na Veja, me dá também
uma dimensão exata do pensamento dele, mas não
consigo ver o maestro que rege essa orquestra. São
a antítese
um do outro, e os seus ataques acabam por fazer apologia
de direita, tão nefasta quanto a outra. Permanece-se
nas beiradas até que a sopa esfrie, depois é
preciso comê-la. Quando o Reinaldo escreve, eu poderia
repetir o parágrafo anterior trocando os nomes.
O Brasil ainda não
comeu a sopa, estamos na beirada, discutindo qual o melhor
jeito de assoprar e enquanto isso os grandes problemas estruturais
da Nação, capengam pelos corredores dos palácios,
adormecem nos gabinetes, são moeda de troca de interesses
restritos de grupos pró e contra de supostos donos
da verdade.
E se a pátria
de 510 anos ainda não levantou de seu berço
explêndido, por causa da burocracia, talvez, passar
da discussão à ação é
o que vai tirar esse atraso.
WikiLeaks é isso,
um estado de espírito que derruba mitos, uma coisa
a qual a grande maioria ainda resiste a aceitar.
A situação
do Rio de Janeiro, não é diferente de Jandira,
nem do surto de cólera no Haiti. É o monstro
regurgitando a inércia dos que querem que todos sejam
pobres para justificar a caridade e dos que justificam suas
ações míopes por medo de perderem a
riqueza.
Um estilo de vida
WikiLeaks,
um estado de espírito WikiLeaks é o convite
para tirarmos a venda dos olhos, a hipocrisia das palavras,
a miopia das ações, a linearidade dos comportamentos.
Leia também:
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Vadis Wikileaks?
A
"guerra" do Rio e nossos 200 anos de atraso