sábado, 18 dezembro, 2010 20:34
Pragmatismo,
Virtù, Fortuna e Ética
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Fabio
Rodrigues Pozzebom/ABr |
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Temer,
Dilma e Lula |
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Sem entrar demais no
conceito de pragmatismo
quero enxergar os primeiros discursos de Dilma Rousseff
como pragmáticos. Pragmatismo talvez seja uma forma
de pensar um pouco ausente no cotidiano do brasileiro em
geral.
Apaixonado, nosso espírito
latino, sente-se pouco à vontade quando as coisas
precisam ser feitas, se não forem feitas agradando
todas as vaidades e vaidades nem sempre, ou nunca, atendem
às verdadeiras necessidades sociais de um país
que se arrasta há quinhentos e tantos anos sem que
sejam vencidos os profundos abismos sociais.
Queremos por um lado,
vencer por vencer, como necessidade do ego ao invés
de vencer a médio e longo prazo, o que inclui aí
uma aparente derrota aqui e acolá. Um jogo diplomático
que faria com que todos vencessem no final das contas.
Dilma em seu discurso
no parlatório diz: "Não peço
a ninguém que abdique de suas convicções.
Buscarei o apoio, respeitarei a crítica. É
o embate civilizado entre as ideias que move as grandes
democracias como a nossa."
O conceito de virtù,
empregado diversas vezes nas obras de Maquiavel,
determinaria a capacidade de adaptação aos
acontecimentos políticos que levaria à permanência
no poder. O PT, ainda que nem saiba disso tem se servido
da virtù. Um outro conceito maquiavélico,
a fortuna, representa as coisas inevitáveis que acontecem
aos seres humanos sem que se saiba se vão fazer bem
ou mal e que podem tanto levar alguém ao poder como
tirá-lo de lá. Lula jogou com a fortuna e
garantiu por enquanto a continuidade do seu projeto político.
As urnas entenderam assim, pouco mais da metade delas, não
todos.
Ainda por Maquiavel,
a história se repete e o registro dos acontecimentos,
poderia servir de exemplo para que os homens não
se deixassem levar pela tentação, ou ignorância,
e cometer os mesmos erros.
Opostamente à
ética cristã herdada por ele da Idade Média
onde as atitudes dos governantes e os Estados em si estavam
subordinados a uma lei superior e a vida humana destinava-se
à salvação da alma, ele propõe
que a finalidade das ações dos governantes
seja manter a pátria e o bem geral da comunidade
e que uma atitude não pode ser chamada de boa ou
má a não ser sob uma perspectiva histórica.
Ainda que essa lógica possa justificar desmandos
e violências por parte do Estado.
Nisso falhamos se criticarmos
Fernando Henrique, porque 8 anos não podem ser avaliados
dentro ou próximo deles mesmos, assim como, enaltecer
Lula pelo governo recém encerrado como um governo
transformador e perfeito. As falhas e acertos de cada um
aparecerão daqui uns 30 ou 40 anos, não menos.
Nem somos capazes de avaliar desapaixonadamente o período
de regime militar, nem o período de retomada do estado
de direito.
E Dilma tem a tarefa
de contribuir com sua parte para que o bem comum seja alcançado
de alguma forma o que justifica o pedido dela destacado
acima. Ressalte-se que ela viveu a efervescência política
dos anos 60 e a radicalização das ideias que
resultaram num regime militar que durou 22 anos e que não
deu muita opção nem a gregos, nem a troianos.
Por outro lado, aqui
nas Gerais, o modelo de Aécio/Anastasia recebeu aprovação
nas urnas e Anastasia eleito com mais de 60% dos votos,
vai dar continuidade ao estilo pelos próximos 4 anos.
Da mesma forma que Odelmo Leão em Uberlândia,
realizou e segue realizando, ações que visam
o bem comum. O povo daqui também deu a ele o direito
de governar por mais 4 anos, num sinal claro de aprovação
pela maioria de seu modo de conduzir politicamente e administrativamente.
Hoje após a posse
do governador Geraldo Alckmin em São Paulo, José
Serra declarou que a população brasileira
espera sempre uma cooperação entre os governos
federal, estadual e municipal. Óbvio ululante, a
urna reflete a necessidade do povo e Lula marcou mais pontos
nesse sentido. Por agora estão satisfeitas as necessidades
e as promessas de melhoras futuras receberam o devido crédito
popular. Visto dessa ótica, todo modelo vencedor
e que aponta mais vitórias adiante é o que
continua vencendo. Os modelos de Lula, de Aécio,
de Cabral, de Odelmo e de Alckmin estão corretos
segundo a avaliação popular. Mais do que o
que pensam os "analistas" cada vez mais é
o povo quem dita as regras e isso é um sinal positivo,
ainda que o "certo ou o errado" só possam
mesmo ser avaliados em retrospectiva de longo prazo.