domingo, 30 janeiro, 2011 18:33
Encontros
periféricos e contraponto estético
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Arte
sobre foto de Vladimir Platonow / ABr |
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A
Favela Grota de Surucucu é uma das regiões
castigadas pelos temporais que atingiram a capital fluminense |
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Não vou entrar
na discussão em si, nem me ater a datas e períodos
específicos da evolução da humanidade,
mas tão somente, abstrair sobre conceitos que necessitam
de revisão e que no meu entendimento estão
no centro das mazelas que estamos enfrentando hoje em dia.
Já falei em
outra ocasião sob a ótica ambiental,
do atraso medieval em que nos encontramos, pensando tecnologias
e atitudes "tampão" ao invés de
resolvermos os problemas.
Hoje vou falar de outro
aspecto que é o cultural, tão intrinsicamente
ligado ao ambiental, quanto a todos os outros aspectos da
vida humana e que a percepção do colonizador
não alcançou e pior nivelou de tal modo que
construiu o absurdo muro que ainda divide tanta gente, como
se houvesse mais de uma espécie humana. Leia
aqui o artigo irmão deste
Ao lançar os
barcos no oceano, o colonizador encontrou seres humanos
"amarelos" na Ásia, "pretos"
na África, "vermelhos" nas Américas
e decidiu que haveria um grande trabalho a ser feito para
"evoluir" aqueles gentios que ou andavam pelados,
ou cultuavam deuses excêntricos, ou rituais nebulosos.
A estética perfeita
daquele período, sob a ótica do colonizador
precisava ser "branca", "machista" e
"cristã" e tudo que fugisse desse modelo
deveria ser exterminado. Árvore era para ser cortada,
caminho era para ser pavimentado, brejo para ser drenado,
construção para ser de pedra e o campo para
ser ocupado com grandes extensões de monocultura.
Os ricos para viverem no éden idealizado dos arquitetos
e artistas e o "povão" para ficar a serviço
dessa elite.
Esse é o modelo
que ainda vigora e está tão arraigado no inconsciente
coletivo, que qualquer coisa fora disso ainda é visto
com "olhos tortos". Mas esse é o modelo
que provoca enchentes, desmoronamentos, exclusão
social, criminalidade, evasão escolar, efeito estufa,
epidemias.
Séculos atrás
o mundo tinha mais espaço, menos gente e os problemas
ficavam longe dos olhos de quem dominava, hoje somos 7 bilhões
e outras formas de ver e viver o mundo precisam ser consideradas.
Quando conhecemos os
saberes culturais diferentes do estabelecido, ampliamos
nossa percepção e nosso papel no planeta.
Quando os praticamos descobrimos vida, muito além
do que está escrito ou determinado e nos tornamos
seres mais amplos, mais plurais, mais humanos.
O teatro, a música,
a arte, as manifestações culturais, podem
se desencastelar, ganhar a rua, subir o morro e frequentar
o subúrbio e dar de cara com o teatro, a música,
a arte e as manifestações culturais nascidas
no morro, na rua, no subúrbio que trabalha a partir
de sua própria noção estética,
peculiar e não fazer cara de samambaia vestida de
camisa florida, bermudão, chapéu de palha,
óculos escuros e máquina fotográfica.
A plateia é a
comunidade, o ator é a comunidade, a estética
é a comunitária, colagem dos ritmos, das cores,
das formas que os coletivos apresentam, respeitando a diversidade
e derrubando mitos de bom e mau, certo e errado, feio e
bonito, próprio e impróprio e fundamentalmente
sem rótulos.
Leia também:
Atitude
em Encontros Periféricos