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sábado, 26 fevereiro, 2011 0:19

A respeito da demolição do teatro Grande Otelo

 
 
 
Pedro Reis/FarolCom
 
   
  Grande Otelo será demolido para dar lugar ao novo  
 

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Obras do Teatro Municipal serão retomadas

 

Antes de mais nada, quero deixar bem claro que a atual gestão municipal, deu passos bastante significativos para o estímulo da cultura em Uberlândia.

A Casa da Cultura, é um dos mais belos exemplos. Fechada durante anos, foi na gestão de Odelmo Leão que a obra de restauro andou e produziu frutos. A Casa da Cultura funciona continuamente, num prédio que tem quase a idade da cidade e é muito bonito.

O Festival de Dança do Triângulo retomou seu brilho, também nessa gestão. Ponto.

A Oficina Cultural e o Museu Municipal funcionam numa praça e também vão na mesma linha, bem cuidados e com atividades. A Igreja do Rosário na mesma região, preserva a história, a tradição e a própria festa do Congado, bem imaterial da cidade e é outro empenho da atual gestão. O Mercado é outro excelente exemplo. Ponto de novo.

Os bons exemplos de preservação do patrimônio e da cultura da cidade vieram do poder público do município nesses últimos anos. Os maus exemplos vieram da iniciativa privada e dos proprietários particulares, que adoram uma patrola e só enxergam cifrões por metro quadrado e trocam o lucro perene de patrimônio preservado pelo lucro efêmero de um empreendimento comercial passageiro, muitos dos quais fazem água.

Enquanto tanto se fala por aqui de turismo de negócios que é um filão altamente rentável para uma cidade que não tem praia, não tem floresta, não tem montanha e não tem neve, a preservação do patrimônio seria o grande segredo para atrair ainda mais gente de fora do estado e do país para ver coisas que são cada vez mais raras, nossa história.

Não posso me esquecer do Arquivo Público, que ganhou um prédio novo, se moderniza e reune muita coisa que estaria irremediavelmente perdida.

Sobre demolir o Teatro Grande Otelo
Considero que as explicações dadas hoje pela manhã pelo prefeito Odelmo Leão e as informações contidas no laudo técnico que recomenda a reconstrução, são bastante plausíveis e coerentes com a conduta da municipalidade com relação à Cultura na cidade. Nós como cidadãos deveríamos também nos engajar nessa empreitada para devolvermos no menor e melhor prazo possível, esse pedaço da história para nós mesmos.

Cabe aqui um pedido: - O novo projeto, pode contemplar a memória do local, deixando vestígios na arquitetura do que foi o prédio que agora vai para o chão, coisa que os bons arquitetos da cidade saberão fazer. Que o novo projeto não abrace o poste de iluminação da esquina e participe ativamente na revitalização urbana daquela parte histórica da cidade, num momento em que ela vivia um novo surto de progresso. Que a circulação e utilização do novo prédio, traga a lembrança da sua forma inicial, porque isso ajuda a atrair boas memórias e energia positiva para o novo espaço.

Os cidadãos é que precisam se apropriar da cidade em que vivem
Quem cuida de uma cidade, são os que nela vivem. Todos somos responsáveis e com certeza o governo sempre reagirá em conformidade com esse espírito. Os que realmente gostam de Uberlândia, tendo ou não nascido aqui é que são os verdadeiros zeladores do espaço urbano.

Senhores proprietários dos poucos exemplares arquitetônicos de épocas idas da cidade, pensem bem e procurem alternativas financeira e culturalmente responsáveis, antes de tocarem fogo nos prédios ou demoli-los na calada da noite sem alvará. Por trás de muitas fachadas de alumínio e plástico, repousam alguns tesouros que poderiam significar lucro permanente, aliados ao movimento de turismo de negócios que é extremamente benéfico para todos e é estimulado em diversas esferas públicas e particulares do município.

Uma cidade que não tem história não tem o que mostrar, não vai atrair gente para ver asfalto, vidro, concreto e fumaça que já existem aos montes nas fracassadas metrópoles do Brasil e pelo mundo.

Já perdemos no passado, o belo prédio do Forum, o casarão da Praça Cel Virgílio Rodrigues da Cunha, a primeira catedral, a primeira rodoviária e outras tantas belezas que uma cidade com apenas 123 anos incompletos, não poderia se dar ao luxo de perder.

Tenho plena confiança que o prefeito Odelmo Leão, vai dar o seu toque pessoal e valorizar pequenos detalhes que fazem a diferença no quesito patrimônio, que no que dependeu dele até agora, foi bem realizado. Da mesma forma que o trabalho de nossa secretária de Cultura, Monica Debs ressuscitou a vida cultural da cidade. E assim ganharemos um novo Teatro Grande Otelo.

Quanto mais Uberlândia souber conciliar desenvolvimento e preservação, mais destaque ganhará fora de seus limites geográficos, mais diferenciada no cenário nacional. Temos todas as condições para isso.


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