sábado, 23 julho, 2011 22:48
Amy
Winehouse, Noruega, Somália e o mundo cão
A pressa em dar a "pior"
melhor notícia, cria um alvoroço danado nas
redações.
A Noruega ainda chora
os seus mortos, um trágico momento para um país
que pouco frequenta o noticiário internacional e
Amy
Winehouse parte desse mundo de uma forma triste
e melancólica, consumida pelo álcool e pelas
drogas.
Transformar isso em
"mundo cão" é a repetição
das nossas reações sempre que um fato nos
moldes desses dois acontecem.
Mas tem a Somália,
onde a fome e o extremismo formam a receita mais do que
trágica do ponto em que o ser humano, muitos deles,
ainda funcionam.
Amy Winehouse será
autopsiada provavelmente neste domingo e a causa de sua
morte começará a ser revelada; o governo norueguês
em movimento frenético vai explicar se um único
homem e compatriota, promoveu uma matança grosseira
e cruel, para usar poucos adjetivos, para talvez se posicionar
politicamente, ou se há uma ligação
com grupos extremistas. Fontes noticiosas indicam que Anders
Behring Breivik assumiu sozinho a autoria do
massacre e a explosão de um carro bomba no centro
de Oslo, a capital do país.
E na Somália
os militantes do Al Shabaab, grupo ligado à Al Qaeda
ainda proíbem a ação de entidades humanitárias
no país que enfrenta além da fome, a seca.
O resultado alegado pela ONU e negado pelos rebeldes é
que 10 milhões de pessoas vivem em estado de fome,
declarado pela entidade nesta semana.
Aqui no Brasil não
é diferente com relação ao assunto
drogas e violência; São Paulo, Rio de Janeiro
e Belo Horizonte, enfrentam enormes problemas relativos
a isso; Uberlândia a exemplo de outras tantas cidades
do país tem relatos diários de crimes e mortes
pelo mesmo motivo.
Mas não podemos
ficar contando os mortos todos os dias, está faltando
atitude e colaboração entre todos os entes
da República e nós sociedade porque me parece
irreal, não conseguirmos administrar pacificamente
as nossas cidades.
Onde queremos
chegar?
Amy Winehouse
era uma apologia ambulante ao consumo de álcool e
drogas, seu patrimônio alcança os 20 milhões
de dólares e sua legião de fãs é
imensa. Sua musicalidade era realmente bastante bonita,
mas pessoalmete ela era uma elegia ao consumo exageradíssimo
de entorpecentes.
Quantos talentos estamos
perdendo para as drogas, aqui mesmo no quarteirão
de casa? Alguma coisa está faltando nessa equação.
Com que interesses estamos lidando ao ver os noticiários
lotados do assunto violência e drogas enquanto que
isso é uma parcela e pequena do tecido social?
A quantidade de textos
produzidos nas últimas horas sobre a morte de Amy
Winehouse somente aqui no Brasil supera os 400 e não
há muita diferença no conteúdo deles
porque o estilo de vida de Amy só podia terminar
onde terminou e as reações dos fãs,
não difere em nada com a da morte de Michael Jackson
e o andamento das investigações da mesma forma.
Sem a mesma pompa, centenas
de brasileiros morrem todos os dias por motivos parecidos
e sem o destaque da mídia. Muitos Somalis estão
morrendo também, mas só os números
aparecem.
Talvez seja o caso de
repensarmos nossas atitudes com relação a
tudo isso, antes que aconteça conosco, ou tão
perto que nos abale profundamente.
E pegando carona na
conversa quero dizer que movimentos de cunho separatista,
são a semente de desagregação social,
campo fértil para a ação de extremistas
e justificativa para ações restritivas da
liberdade dos cidadãos. Não se pode analisar
os "terríveis" fatos presentes de forma
isolada. Do jeito que a violência está sendo
colocada, sob potentes holofotes, vai acabar servindo para
a tomada de "medidas drásticas" para preservar
os "cidadãos de bem".
Do jeito que a imprensa
vai martelar o assunto da morte da Amy nos próximos
dias, vai amortecer a nossa preocupação com
os problemas reais e próximos que temos que resolver,
apesar das Olimpíadas e da Copa. E é desse
tipo de informação entorpecente que temos
que nos livrar sem apelar para qualquer tipo de extremo.
O Caminho do Meio ainda
e sempre será o melhor de todos para que vivamos
a vida de paz que em suma todos queremos.