domingo, 31 julho, 2011 14:04
O truque
do mágico ou paranóia minha?
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Pedro
Reis |
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Montagem
sobre gravura |
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A notícia é
linear, mas sua leitura deve ser holográfica. A todo
momento o "mágico" da redação
fala de um assunto e encobre outro. A manchete da "suposta
quebra da safra do abacaxi" pode esconder a importante
notícia do aumento de determinado imposto impopular
(como se todos não o fôssem).
As páginas de
informação, são cada vez mais montadas
como o planejamento de um supermercado. O que é realmente
importante (para o editor) aparece em destaque e o que é
realmente importante de se saber está logo ali à
direita da página que é de onde o olho foge.
A foto chamativa, desvia sua atenção do texto
ao lado que é mais importante que a foto.
O intuito é deixá-lo
"informado" do que é realmente conveniente....
Em certa época
da minha vida, "geada" na região cafeeira
era publicada no jornal matinal e desmentida no jornal de
tv da hora do almoço. E milhões de cruzeiros
(sim, eu sou do tempo do cruzeiro como padrão monetário)
iam e vinham para as mãos dos "plantadores de
notícia".
O mundo era mais analógico
e num período de 12 horas, toda a armação
era orquestrada, para beneficiar os "detentores da
informação".
Em tempos de internet,
o que poderia parecer mais difícil de acontecer,
acontece de forma retumbante e adrenalinada e pode acreditar,
do outro lado da linha, calmos senhores, orquestram cada
passo.
O intuito é deixá-lo
"informado" do que é realmente conveniente....
Momentos como os protagonizados
por Anders Behring Breivik e sua insana
atitude e Amy Winehouse inconclusivamente
morta, num espaço de 24 horas, formam o cenário
mais propício ainda para os "plantadores de
notícia" e os "ceifadores" também,
chafurdarem sobre seus tabuleiros manipuladores.
Quando você se
deparar com uma informação extremamente chocante,
procure verificar o que está acontecendo simultaneamente.
Um improvável
"default" dos EUA e as informações
do BEA sobre o triste episódio do voo AF 447, o massacre
em Oslo, a morte de Amy Winehouse, as questões envolvendo
o DNIT, os milhares de vagões, locomotivas e os milhões
de quilometros e estações abandonados pelo
Brasil afora, a queda vertiginosa do dólar e os problemas
de organização da Copa 2014 e das Olimpíadas
em 2016, versus o crime organizado no RJ, as UPPs, a ocupação
militar dos morros e a forma como tudo isso é bombardeado
sobre nós, alinham-se com a "quebra" da
GM e da Chrysler e o fim melancólico do Lehmann
Brothers, enquanto a Coréia do Norte
ameaçava com a bomba atômica a Coréia
do Sul e a gripe suína "matava milhões"
pelo planeta afora.
Alcançados os
objetivos imediatos (entorpecer sua mente e enchê-lo
de medo e reservas), os assuntos desaparecem da mídia
como num passe de .... Mágica!
Cria-se o clima perfeito
usando o que está acontecendo naturalmente ou cria-se
o clima perfeito com o que não está acontecendo,
para acontecer.
A única forma
de não ser dominado é ler o mundo e o que
se fala dele todo dia de forma crítica e até
meio cética, porque a dominação de
um povo nasce muito antes da sua efetivação.
E a história se repete, exatamente porque esquecemos
muito rápido de tudo aquilo que acontece de ruim
para os outros.
O discurso social corrente,
se parece muito com o de 70 anos atrás, quando o
mundo mergulhou na guerra e seus verdadeiros motivos ainda
estão por se esclarecer.
E se parece muito com
o de 500 e tantos anos atrás, quando o homem de antanho
singrou os mares em busca do "Novo Mundo" e deu
no que deu.
Por outro lado é
inegável que em paralelo evoluímos tecnologicamente,
alcançamos comodidades impensáveis naqueles
tempos, mas a síndrome do mágico continua
presente e a relação dominador e dominado
da mesma forma.
Quem dá audiência
somos nós. Diga-me com quem andas e te direi quem
és. O festival de mazelas bombardeadas sobre nós,
vai culminar no "Dia do Basta". Todos os dias
os jornais estampam as maracutaias e violências de
toda sorte, que em suma são praticadas por uma minoria
tão ínfima, que lhes bastaria a menção
e a punição cabível e não o
show montado para "glorificar-lhes" as ações.
E de tanto baterem na
mesma tecla, esperam que o mesmo estado de coisas que já
justificaram "exceções" nesse mundão
velho, voltem a ser perpetradas. Quem já viveu isso
que o diga em voz alta e rápido,
antes que os mais novos se "encantem com a novidade".