sexta-feira, 20 janeiro, 2012 1:44
O paradigma
da guerra está definitivamente fora de moda
|
|
|
|
|
|
Pedro
Reis/FarolCom |
|
|
 |
|
|
A
mosca que pousou na sua SOPA, se você mata uma,
vem outra em seu lugar |
|
|
|
|
Bom, no artigo de hoje
vou abordar conceitos sobre a regulação da
internet em discussão no Senado dos EUA. Poderia
ser sobre muitos assuntos, porque o fio da meada em questão
é o paradigma da guerra.
E qual é a minha visão
do paradigma da guerra?
Dois lados, um problema e uma
queda de braço para ver quem está certo. A
princípio, simples assim, mas vejamos:
A internet é hoje um território
absolutamente livre, absolutamente sem paradigmas, uma poderosa
ferramenta de mobilização que não pode
ser controlada, um ambiente onde muitas cabeças pensam,
desenvolvem aplicativos, e numa velocidade que as cabeças
da velha guarda, não conseguem acompanhar.
Do outro lado dessa questão
está o modelo da era industrial, concentrador de
poder e acostumado a ditar as regras. Um determinado grupo
controla o comércio de livros, outro a indústria
fonográfica, outro a indústria farmacêutica,
outro a de alimentos, outro a de veículos, outro
a exploração de petróleo e a produção
de combustíveis, os transportes, outros tantos em
diversas áreas e os governos em todas as suas esferas.
O modelo da era industrial, identifica
um "inimigo" e alinha armas para combatê-lo,
este por sua vez busca se defender com os mecanismos que
possui.
Foi assim nas duas grandes guerras,
foi assim na colonização das Américas
e da África, foi assim nas revoluções,
nas derrubadas de governos e foi assim para convencer as
pessoas a trocarem o sabão em barra pelo sabão
em pó, as mercearias pelos supermercados, o carvão
pelo gás engarrafado e vai uma lista quase infinita
de coisas que a televisão, entre os veículos
de comunicação o que mais tenta formar a "opinião
pública", martela insistentemente nas pessoas,
"criando hábitos", "criando verdades",
mobilizando ou desmobilizando as pessoas e apontando a "direção".
Na maioria dos casos, o lado
com mais poder econômico vence e é aí
que a internet começa a modificar esse quadro e isso
gera desconfiança, medo e até retaliação
dos grupos estruturados seja em que área econômica
ou social for.
As armas do modelo velho, são
os processos na justiça, a polícia e a disseminação
de informações pelos canais tradicionais para
deter o que eles perceberam como redução de
receita.
Na Intifada foram os palestinos
jogando pedras nos tanques isrelenses, na atualidade é
o Anonymous promovendo um ataque de negação
de serviço, ou simplesmente DDoS (Denial of Service,
na sigla em inglês). A comparação não
é exatamente precisa, mas o conceito é.
Dependendo da visão legal,
baixar uma foto do ídolo preferido para usar como
papel de parede, pode ser considerado crime cibernético,
mas o que os defensores da censura na internet objetivam
é a proteção de outros tipos de dados,
é deter o "efeito wikileaks" que já
se espalhou em múltiplos endereços, é
proteger alguma informação que não
é "conveniente" que o cidadão comum
saiba, coisa absolutamente impossível de segurar
na internet.
Novas formas de relacionamento
são necessárias, nada de causa e efeito, mas
de cooperação mútua.
Enquanto as velhas estruturas
insistirem em usar seus velhos métodos, para combater
o que elas julgam perigoso, o resultado vai ser um contra-ataque
que virá de milhões de pontos espalhados pelo
planeta, impedindo simplesmente que as coisas funcionem.
Prender o pessoal do
MegaUpload e tirar o site do ar não vai resolver,
surgirão outros, o movimento de mudança de
paradigma é irreversível e se não houver
bom senso entre as partes a internet vai deixar de funcionar.
Assim como prender o Assange e espremer o Wikileaks, só
fez com que o conteúdo fosse replicado em milhares
de sites.
Para finalizar, no pé
que está, vai vigorar a metáfora que o grande
Raul Seixas, profetizou há muitos anos. "Não
adianta matar uma, porque vem outra em meu lugar".