sexta-feira, 3 fevereiro, 2012 0:46
Orkut
acabou. Viva o Orkut!
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Pedro
Reis / FarolCom |
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Dê uma passada
de olhos na sua linha do tempo ou melhor, na página
inicial do seu Facebook. É a cara do Orkut, você
não acha?
Protestos, mulher pelada,
correntes, frases moralistas, de culpa, de proteção
aos animais, charges e uma ou outra coisa que presta. A
maioria é de lugares-comuns que pouco ou nada acrescentam
à nossa vida. Pura cultura inútil.
Quando Orkut Büyükkokten
projetou a rede social que leva seu nome tinha como objetivo
conectar pessoas, fazer amigos. E talvez seu erro tenha
sido o de demorar para pensar jogos e aplicativos que pudessem
medir e avaliar o comportamento das pessoas.
Não há
novidade conceitual em nenhuma das redes sociais que surgiram
depois do Orkut, simplesmente porque seu criador pensou
no básico do básico do relacionamento humano.
O Facebook virou febre,
modismo e a única funcionalidade que vejo nele é
a de fazer pesquisa permanente de mercado, avaliando o comportamento
dos seus usuários e dessa forma oferecer esses valiosos
dados para os anunciantes. Nada além disso.
O mérito talvez
resida no fato que isso tudo é feito de uma forma
muito dissimulada, disfarçada de jogos e aplicativos
que perguntam e obtém resposta de quem você
realmente é. Exatamente o que o Orkut demorou para
fazer.
Mas é o conceito
Google de "palavras-chave" que estimulou a criação
disso tudo.
Por outro lado sua vida
social, sua rede social verdadeira, humana, não muda
por causa desses aplicativos. Você vai carregar para
elas a realidade de quem você é, vai reagir
nelas exatamente como você reage na sua vida de verdade
e esse é o maior combustível dessas redes
que estão monitorando no geral o seu comportamento
para utilização em outros projetos onde pesquisa
de mercado é ferramenta primordial.
Vejamos, se um entrevistador
de um instituto de pesquisa, tocasse a sua campainha uma
vez a cada 24 horas para perguntar coisas e preferências
a seu respeito, você ia acabar grilando. Se você
recebesse formulários de pesquisa diariamente pelo
correio, da mesma forma. Mas se você fica online conversando
com um monte de gente, ou brinca com aplicativos e jogos
coloridos que estimulam o seu raciocínio e te dão
a sensação de liberdade e popularidade, você
não acha ruim. Se você recebe bônus virtuais
por isso, fica mais feliz ainda.
As curtidas na bebida
"tal", no sabonete "tal", na loja "tal"
no comportamento "tal" e todos os "tal"
que estão nas redes, estão balizando as estratégias
de profissionais e determinando o que vende mais, o que
vende menos e quais são as ações necessárias
para modificar, melhorar ou excluir determinado produto
das prateleiras.
Até suas conversas
aparentemente irrelavantes e casuais servem de ferramenta
de avaliação.
A vida ficou mais fácil
para quem quer descobrir o que pensa e como age um determinado
grupo social e está robotizando os seus usuários
sem dar muita chance para questionamentos ao indivíduo.
Poderia dizer até
que são excelentes ferramentas de controle social
e poderosos plantadores de conceitos, formadores de opinião.
Gente que você
nem sabe onde está ou quem seja, solicita petições
em favor disso ou daquilo e você acaba participando
só porque isso te dá a sensação
de poder de escolha. Mas não te conta em que contexto
e sob qual conjunto de leis o assunto em questão
está subordinado, qual é o perfil histórico
do assunto e em qual cultura está inserido.
Um mundo sem contexto
disseminado tão mais rapidamente, quanto menos formação
possuir o indivíduo. Uma lavagem cerebral na maioria.
E antes que você
pense que eu sou contra tudo isso, saiba que também
uso e muito as redes sociais. E antes que você pense
que estou sendo generalista, saiba que eu conheço
muita gente e muita coisa bacana na rede. O meu temor é
pelo excesso de bobagem e trolagem que a rede permite e
que se você não tiver conhecimento para discernir
o que ela te apresenta, vai acabar virando um papagaio,
repetidor das coisas que lê e ouve, um avalista das
coisas que lhe são pedidas.
Exemplos simples:
- Se você
não colocou o seu número de celular no perfil,
qual a razão para num segundo momento aceitar participar
de um aplicativo que compartilha números de telefone?
- A quem será
que interessa saber quem participa de aplicativos que trocam
"corações"??
- Outros tantos
que falam de carros, perfumes, aparelhos, hábitos
alimentares e por aí vai.
- As comunidades
do Orkut, se parecem muito com os grupos do Facebook? Deixam
claro para terceiros qual sua orientação política,
filosófica, sexual, religiosa, seu senso de humor
e até seus preconceitos?
Tem tanta coisa que
você não contou nem para a sua mãe e
que de forma magistral a rede social fez você confessar.
Na era da comunicação, só se beneficia
quem tem capacidade de discernir, quem souber contextualizar.
O Orkut, o Facebook
e agora o Google+ são ferramentas que só vão
trazer benefício efetivo à sua vida se você
souber o que está fazendo nelas e se tiver objetivos.
O resto é fofoca e perda de tempo.