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Instituto Eu Quero Viver
sábado, 18 fevereiro, 2012 20:49

Parto doméstico, atualização Panda e releases em massa

 
 
 
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No início de fevereiro a ativista australiana pró-parto em casa, Caroline Lovell, morreu de complicações do parto dias após o nascimento de sua segunda filha.

A atualização Panda, implementada pelo Google está varrendo a internet e reavaliando os conteúdos para oferecer uma experiência de consulta cada vez mais relevante e completa aos usuários do buscador.

As assessorias de comunicação continuam enviando textos em massa para o seu gigantesco mailing e milhares de sites continuam replicando a mesma informação sem acrescentar nada de novo, priorizando os anúncios do Google.

Parto em Casa
A notícia saiu no Daily Mail (em inglês) e teve repercussões pró e contra em inúmeros sites pelo mundo. [http://www.dailymail.co.uk/health/article-2094348/Caroline-Lovell-Home-birth-advocate-dies-delivering-baby-daughter-home.html]

Hoje (18), por volta de 1 da manhã, caiu na minha caixa de entrada um artigo assinado pelos profissionais médicos, Antonio Braga, professor PhD de Obstetrícia da Universidade Federal Fluminense, Vera Fonseca, presidente da SGORJ e diretora-executiva da FEBRASGO e Márcia Rosa de Araújo, presidente do CREMERJ, defendendo a utilização dos hospitais e o acompanhamento médico, como ponto primordial para a maior garantia de bons resultados no procedimento.

Pesquisando um trecho do referido artigo no Google, encontrei 23 repetições exatas, sendo que a primeira a aparecer foi no site do CREMEPE [http://www.cremepe.org.br/leitorNews.php?cd_noticia=5080].

Relevância
Em que pese a importância da discussão sobre qual local mais adequado para se dar à luz, seja em casa ou no hospital, repetir 23 vezes a mesma informação não acrescenta absolutamente nada a quem por exemplo quer pesquisar sobre um tema antes de tomar uma decisão.

Os jornalistas, em especial os de assessorias de comunicação, são usuários frenéticos do e-mail em massa, de sorte que algum veículo se interesse e publique a referida informação e de quebra ainda faça uma entrevista com a personagem da história.

Mudança de hábito
As facilidades que a internet proporciona deveriam facilitar a comunicação, mas os editores de sites, sem generalizar, tem pressa de colocar o assunto no ar e não de aprofundar-se no tema visando o interesse do leitor.

Por outro lado se eu retornar um e-mail com perguntas a quem me envia uma nota, recebo muitas vezes em resposta o telefone da personagem, para que eu entre em contato direto. Ou seja, se estou em Minas Gerais e a personagem está em Pernambuco, tenho que fazer um interurbano de uma hora para, fazer anotações e só depois (com boa margem de erro ou interpretação) redigir um texto complementar.

Sendo uma notícia tão discutida deveria o referido artigo aparecer numa pesquisa mais simples, por exemplo, "Parto em Casa" ou assemelhado, mas o que aparece em primeiro lugar é um vídeo: [http://www.youtube.com/watch?v=F9p8aXYwcao] contando uma experiência exitosa do parto domiciliar e em segundo uma notícia no R7 - [http://noticias.r7.com/saude/noticias/fazer-o-parto-em-casa-implica-conforto-e-riscos-veja-as-vantagens-e-desvantagens-20100723.html] que inclusive traz um manual ilustrando vantagens e desvantagens da prática e os dois são bem mais antigos que o artigo em questão.

Já quando a pesquisa vai pelo nome de Caroline Lovell filtrando resultados em português os primeiros resultados são do site Alagoinhas Notícias [http://www.alagoinhasnoticias.com.br/ciencia/caroline-lovell-de-36-anos-que-incentivava-partos-caseiros-morre-em-casa-ao-dar-a-luz/] que deve ter sido, ainda que em pouquíssimas linhas, o primeiro a relatar o fato em português; O R7, com muito pouca diferença do texto que saiu no Alagoinhas e em 3º lugar na mesma busca um outro texto no blog "Parir é Natural" [http://parirenatural.blogspot.com/2012/02/sobre-morte-de-caroline-lovell.html] que defende a técnica e ainda coloca questões para a reflexão e bibliografia.

Do ponto de vista da atualização Panda as 10 primeiras posições são as que abordam de forma mais abrangente os termos da busca e atendem com mais relevância o interesse de quem digita aqueles termos. Os editores web são loucos pelo resultado na primeira página do Google e este manda avisar que com maracutaias e pressa o seu resultado vai parar em último, ou mesmo desaparecer do resultado. Neste caso os dois primeiros um pela velocidade e outro pela abrangência aparecem nos dois primeiros lugares e o terceiro porque discute o assunto e defende a técnica, todos citando a mesma personagem.

Ainda que tratando do mesmo assunto e abordando a mesma questão, assinado por três importantes representantes da classe médica, o artigo citado no início destas linhas não aparece, a não ser que se pesquise exatamente um trecho dele. Pode até ser que com o passar dos dias esse quadro se reverta, mas aí o interesse pelo asunto pode ter se esvanecido.

Então eu pergunto, melhor construir textos que abracem questões relevantes e que atendam os interesses dos usuários, escolhendo veículos que se disponham a dar continuidade e complementação ou vamos insistir nas notinhas que nada acrescentam só para mostrar serviço ao assessorado?

E eu vou insistir no meu ponto de vista: Continue fazendo tudo do mesmo jeito e você vai ganhar a invisibilidade na rede, pouco importando o assunto ou os títulos honoríficos. Davi vencerá Golias todos os dias.

Leia também:

O efeito Panda tosquiando as repetições na internet


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