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Aqualândia
 
por Pedro Reis
17/11/2007

No último dia 12 caiu uma chuva daquelas por aqui. Daquelas de arrancar telhado e árvore, igual a filme do Super-Homem. A fragilidade dos nossos conceitos de infra-estrutura, geram transtornos quando isso acontece.

Na fábula dos Três Porquinhos, enquanto o Prático mora numa casa sólida, construída com tijolos e cimento, Cícero construiu uma de palha e Heitor, uma de madeira. Construíram casas frágeis, porque assim seria mais rápido e eles poderiam logo ir brincar. O Lobo, por sua vez, queria comê-los. E ai só a casa do Prático resiste aos sopros do Lobo. No fim Cícero e Heitor refugiam-se lá, prometendo deixar de ser preguiçosos.

Colocar a culpa no prefeito não pode. Isso é conversa politiqueira, infrutífera que não acrescenta nada nas soluções almejadas por todos os habitantes de centros urbanos. Uberlândia se enquadra nessa definição.

Uma das vítimas a avenida Rondon Pacheco expôs o que o uberlandense anda jogando pelas ruas.

Quando eu cheguei por aqui, escutei e ainda escuto, que jogar lixo no chão ajuda a manter os empregos da concessionária de limpeza da cidade. Pasmem quantos lerem isso para além dos limites da cidade.

Um dos resultados desse pensamento exótico é que todo o lixo que não foi recolhido por algum motivo, vai parar nas galerias e bocas de lobo.

Isso sem contar com os inúmeros casos de areia e pedra colocadas diretamente na calçada e no meio fio que acabam parando na tubulação pluvial da cidade. Muita gente por aqui adora fazer uma obrinha em casa e usa o passeio e o meio-fio para misturar a massa e depois lava com mangueira até a mistura chegar nos coletores. Adivinha o que acontece?

Há ainda os fantásticos copos de milk shake e saquinhos de batata e outros petiscos vendidos nos terminais de ônibus e que após consumidos, em meio às viagens são arremessados sem nenhum escrúpulo pela janela do coletivo.

Muita gente se apressou a colocar as fotos da tragédia no orkut, nas listas de e-mails, esquecendo que muita gente que viu e está vendo essas fotos, colaborou para o entupimento da rede com suas ações insensatas.

Pobres dos proprietários de veículos e comerciantes que pagaram mais uma vez com prejuízo material o exotismo de uma cidade de cabeça ôca, que joga lixo no chão, que incendeia lixeiras, quebra orelhão, pega beirão em ônibus e não sabe o que é fila. Leia este outro artigo e ponha a mão na consciência, ou mostre para os Cíceros e Heitores metafóricos que você conhece. A pressa é inimiga da perfeição.

Lembre que a tubulação subterrânea da cidade e para coletar água e não caminhão compactador.

Pedro Reis é jornalista, artista plástico e ambientalista

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