No último dia 12 caiu
uma chuva daquelas por aqui. Daquelas de arrancar telhado e árvore, igual
a filme do Super-Homem. A fragilidade dos nossos conceitos de infra-estrutura,
geram transtornos quando isso acontece.
Na
fábula dos Três Porquinhos, enquanto o Prático mora numa casa
sólida, construída com tijolos e cimento, Cícero construiu
uma de palha e Heitor, uma de madeira. Construíram casas frágeis,
porque assim seria mais rápido e eles poderiam logo ir brincar. O
Lobo, por sua vez, queria comê-los. E ai só a casa do Prático
resiste aos sopros do Lobo. No fim Cícero e Heitor refugiam-se lá,
prometendo deixar de ser preguiçosos.
Colocar
a culpa no prefeito não pode. Isso é conversa politiqueira, infrutífera
que não acrescenta nada nas soluções almejadas por todos
os habitantes de centros urbanos. Uberlândia se enquadra nessa definição.
Uma
das vítimas a avenida Rondon Pacheco expôs o que o uberlandense anda
jogando pelas ruas.
Quando eu
cheguei por aqui, escutei e ainda escuto, que jogar lixo no chão ajuda
a manter os empregos da concessionária de limpeza da cidade. Pasmem quantos
lerem isso para além dos limites da cidade.
Um
dos resultados desse pensamento exótico é que todo o lixo que não
foi recolhido por algum motivo, vai parar nas galerias e bocas de lobo.
Isso
sem contar com os inúmeros casos de areia e pedra colocadas diretamente
na calçada e no meio fio que acabam parando na tubulação
pluvial da cidade. Muita gente por aqui adora fazer uma obrinha em casa e usa
o passeio e o meio-fio para misturar a massa e depois lava com mangueira até
a mistura chegar nos coletores. Adivinha o que acontece?
Há
ainda os fantásticos copos de milk shake e saquinhos de batata e outros
petiscos vendidos nos terminais de ônibus e que após consumidos,
em meio às viagens são arremessados sem nenhum escrúpulo
pela janela do coletivo.
Muita
gente se apressou a colocar as fotos da tragédia no orkut, nas listas de
e-mails, esquecendo que muita gente que viu e está vendo essas fotos, colaborou
para o entupimento da rede com suas ações insensatas.
Pobres
dos proprietários de veículos e comerciantes que pagaram mais uma
vez com prejuízo material o exotismo de uma cidade de cabeça ôca,
que joga lixo no chão, que incendeia lixeiras, quebra orelhão, pega
beirão em ônibus e não sabe o que é fila. Leia
este outro artigo
e ponha a mão na consciência, ou mostre para os Cíceros e
Heitores metafóricos que você conhece. A pressa é inimiga
da perfeição.
Lembre
que a tubulação subterrânea da cidade e para coletar água
e não caminhão compactador.