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Política do "toma lá, dá cá"

terça-feira, 23 junho, 2009 14:07

Pedro Lacerda

Já há algum tempo que o nosso país está sendo governado através da política do “toma lá, dá cá”, em que quase nunca o governo cria ou concede algum benefício para a população sem pegar algo em troca. E agora, com o PT no topo do poder, essa prática ficou ainda mais evidente.

Cabe aqui destacar alguns fatos para ilustrar esse ponto de vista.

Primeiro, para refrescar a memória de alguns esquecidos, lembro de quando o governo federal “concordou” (depois de muita pressão popular) extinguir a Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira (CPMF), no final de 2007. O alívio proporcionado com o fim dessa contribuição durou apenas um dia, pois, logo após a sua extinção, no primeiro dia útil de 2008, o governo contra-atacou elevando alíquotas de dois tributos federais - o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), que passaram a render para o setor financeiro R$ 10 bilhões no ano. Isso ocorreu mesmo depois de o presidente Lula ter descartado qualquer aumento de impostos para compensar a perda da CPMF.

Naquela data, o IOF teve acréscimo de 0,38 ponto percentual na alíquota nas operações de crédito. Até, mesmo, outras operações que eram isentas passaram a pagar os 0,38% e as maiores, que chegavam a 0,30%, subiram para 0,68%. Já o aumento da CSLL do setor financeiro foi de 9% para 15%. Ou seja, o governo que algumas horas antes agia como mocinho, passou a posar de bandido, numa clara atuação do “eu dou, mas eu tomo”.

Agora, em junho, mais uma enganação para cima do povo, quando foi anunciada a redução no preço do óleo diesel e da gasolina. No caso do diesel, a queda do combustível foi de 15% para as refinarias e distribuidoras e 9,6% para os consumidores. Já a gasolina, embora havendo uma redução de 4,5% no preço cobrado às refinarias, o preço ficou igual para os consumidores, devido ao aumento da Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico (Cide). É aí que está o “X” da questão. O governo vem, através da Petrobras, e baixa a gasolina, mas sobe a taxação e só o diesel cai nos postos.

No caso do diesel, a queda de 15% representou bem menos, pois, como o governo acrescentou 4 centavos na Cide, o rebaixamento real foi de 10,5%. Já a gasolina, embora fora anunciada a redução de 4,5% no seu preço na refinaria - em nota da Petrobras -, o produto permaneceu com o mesmo valor para o consumidor final. Isso porque, ao mesmo tempo em que o governo reduzia o preço do combustível, aumentava 5 centavos na Cide sobre o preço de litro da gasolina.

Nessa complicada jogatina, estados e municípios serão os principais beneficiados com a operação. No mercado de distribuição, estima-se que, com a elevação da Cide, o governo vai aumentar em R$ 2,65 bilhões anuais a arrecadação do governo com o tributo, que atualmente é da ordem de R$ 4,6 bilhões por ano.

Provavelmente seja por isso que a carga tributária no Brasil chegou a 38,45% do PIB no primeiro trimestre, resultado de uma arrecadação de tributos federais, estudais e municipais na ordem de R$ 263,22 bilhões.

E dá aumento da arrecadação e dane-se o consumidor.

Pedro Lacerda, empresário, presidente da Fiemg Regional Vale do Paranaíba e do Instituto INDERC.

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