domingo,
6 fevereiro, 2011 14:22
Desoneração
da folha de pagamento. Será?!
Enfim, uma boa notícia
para empresários e também empregados brasileiros
neste início de ano. A boa nova veio direto da
presidência da República, por meio da presidenta
Dilma Rousseff que, em um de seus primeiro atos, confirmou
no seu discurso de posse a promessa de estimular a economia
e reduzir os custos do setor produtivo o que, segundo
ela, se dará através da desoneração
da folha de pagamento das empresas. A presidenta já
teria dado inclusive ordem para que sua equipe apresente,
até o fim deste primeiro semestre, uma proposta
que reduza a contribuição previdenciária
incidente sobre a folha — hoje fixada em 20%.
Trata-se de um ato que já vem tarde, a meu ver.
A desoneração da folha de pagamento já
há muito deveria ter sido feita ainda no governo
Lula, coisa que o presidente prometeu e não cumpriu:
reduzir impostos. Muito pelo contrário...
Não há como ignorar, ainda em 2004 (segundo
ano de governo Lula), o aumento ocorrido da carga tributária
para alguns setores da economia por conseqüência
da instituição da não-cumulatividade
do Programa de Integração Social (PIS/Pasep)
e da Contribuição para o Financiamento da
Seguridade Social (Cofins). Naquela época, a elevação
considerável dos respectivos percentuais de incidência,
no caso da Cofins de 3% para 7,6% e do PIS, de 0,65% para
1,65%, implicou expressivo aumento da arrecadação
dessas contribuições, onerando em especial
a indústria e o setor de serviços.
Atualmente, só para se ter ideia, se comparado
a outras economias mundiais, no Brasil o custo para a
empresa de um trabalhador é espantoso. Aqui, um
empregado representa 11,5 vezes que o da firma norte-americana,
9 vezes a dos Tigres Asiáticos (Hong Kong, Cingapura,
Coréia do Sul e Taiwan), quase 2 vezes a média
dos quatro maiores países da Europa (Itália,
Inglaterra, Alemanha e França) e quase uma vez
a dos três parceiros do Brasil no Mercosul (Paraguai,
Uruguai e Argentina).
Agora, se a presidenta Dilma levar em frente a intenção
de promover a desoneração da folha de pagamento,
ela terá o grande desafio de acomodar a renúncia
fiscal que terá de ser feita. Ao que se sabe, cada
ponto percentual de redução da contribuição
previdenciária “reduz” R$ 4 bilhões
da arrecadação. No limite, isso significaria
uma renúncia de R$ 20 bilhões caso a proposta
seja colocada em prática. Talvez, seja esse um
dos motivos pelos quais o assunto não avançou
nos oito anos da era Lula.
Apesar disso, a desoneração é um
ponto considerado indispensável para dar competitividade
à industria nacional. Num momento em que os produtos
brasileiros estão perdendo espaço tanto
no mercado doméstico quanto no internacional por
conta do câmbio, reduzir os custos dos empresários
com mão de obra é considerado uma forma
de minimizar o problema. Isso, sem contar que tal medida
teria como bônus aumentar a formalização
do mercado de trabalho, que hoje está em 50% dos
trabalhadores. Conforme estudos do Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada (Ipea), dependendo do tamanho
da desoneração, o aumento da formalização
seria entre 2 e 8 pontos percentuais, além claro
do resgate da cidadania.
Diante disso tudo, sou partidário do presidente
da Confederação Nacional da Indústria
(CNI), Robson Andrade, que propôs um plano B ao
governo para pôr em prática medidas que desonerem
o setor produtivo, até que a tão esperada
reforma tributaria não aconteça. Entre as
demandas propostas por Andrade estão a desoneração
dos investimentos e das exportações, redução
de encargos trabalhistas e simplificação
da burocracia do ICMS.
Só não posso esconder o meu receio é
de que esse ato presidencial seja moeda de troca para
redução da carga horária de 44 para
40 horas semanal, que a meu ver deve se dar através
de acordos coletivos como já ocorre em certos setores,
e não por forma de lei, o que penalizaria diversos
setores da economia.
É esperar para ver!