sexta-feira, 18 fevereiro, 2011 22:41
Basta
de negligência e tragédias
E tem sido assim, a cada ano,
sempre em época de chuvas é comum ouvir
de representantes do governo que são as mudanças
climáticas a grande responsável pelo aumento
da incidência de chuvas e, por consequência,
das enchentes e deslizamentos que acabam em inaceitáveis
números de desabrigados e mortes, infelizmente.
Mas agora chega de desculpas!
É nítido que no Brasil, por exemplo, não
existe um planejamento adequado para enfrentar catástrofes
como a que ocorreu na região serrana do Rio, que
matou mais de 850 pessoas, fora as que ainda estão
desaparecidas. O número de desabrigados, então,
é até difícil de contar. Porém,
se nada for feito e a continuar com a omissão das
autoridades, insuficiência ou não realização
de ações públicas no tratamento dos
problemas decorrentes de enchentes e deslizamentos, mais
e mais tragédias continuaram acontecendo.
Pergunto: não seria muito mais prático e
econômico aos governos federal, estaduais e municipais
imprimirem ações conjuntas em torno de um
bom planejamento para não terem depois que enfrentar
tragédias como as da região serrana do Rio
ou a que aconteceu em Angra dos Reis, no réveillon
de 2009 ? Não seria melhor prevenir que remediar?
Embora o fenômeno seja recorrente em todo o início
do ano, o Orçamento Geral da União de 2010
reservou apenas R$ 442,5 milhões para o Programa
"Prevenção e Preparação
para Desastres". Só que desse total foram
gastos apenas R$ 13 milhões (2,97%) até
25 de dezembro.
Aliás, desde 2004, o governo do então presidente
Luiz Inácio Lula da Silva gastou R$ 4,8 bilhões
com medidas emergenciais incluídas no Programa
de Resposta aos Desastres — administrado pela Defesa
Civil do Ministério da Integração
Nacional. Em 2008, quando houve a tragédia em Santa
Catarina que matou 135 pessoas, e no Rio de Janeiro, onde
pelo menos 256 morreram no ano passado, mais de R$ 3 bilhões
foram aplicados dessa forma, ou seja, a liberação
de recursos só foi feita depois.
Ao contrário, nos últimos sete anos o governo
aplicou apenas R$ 539 milhões para a realização
de obras de contenção de encostas e canalização
de rios, além de construção de centros
de gerenciamento de riscos, mobilização
de grupos de apoio, capacitação de agentes
e comunidades em defesa civil e publicidade de utilidade
pública.
Outra dificuldade é que o montante autorizado em
orçamento para uso do programa tocado pela Integração
Nacional - chamado de Prevenção e Preparação
para Desastres - pouco se materializa em recursos reais.
Entre 2004 e 2010 estavam previstos R$ 2,3 bilhões
em projetos preventivos contra chuvas. Ou seja, os R$
539 milhões desembolsados no período representaram
somente 23% do total planejado nas contas federais.
Diante disso, é preciso agora que os governantes,
finalmente, passem a perceber que é melhor prevenir
do que remediar. Ou seja, além da perda de vidas,
o gasto para socorrer é muito maior do que obras
de infraestrutura, por exemplo, para minimizar os impactos
decorrentes de fenômenos climatológicos.
Além disso, as Secretarias de Planejamento, Obras,
Meio Ambiente existem para dar alvarás e habite-se
para todo e qualquer novo empreendimento. Então,
que sejam firmes ao vistoriar todo e qualquer projeto
de engenharia. Assim, certamente os problemas irão
minimizar.