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Instituto Eu Quero Viver
sexta-feira, 6 janeiro, 2012 23:24

Por um Brasil de primeiro mundo - verdadeiramente

 
 

Todas as nações já reconhecem o Brasil como uma das grandes potências econômicas do planeta. Porém, me pergunto, a que custo.
Em se tratando de juros altos, somos o povo que tem as taxas mais caras no mundo: apenas no primeiro semestre deste 2011, as famílias brasileiras pagaram mais de R$ 85 bilhões em juros.

Por isso, o Brasil está no topo, liderando com folga o ranking da taxa mais alta do mundo. O juro real é de 7% ao ano. A diferença entre o segundo colocado, a Hungria, ficou ainda mais larga este ano, quase três vezes maior.

No ano passado, com medo de a inflação voltar a assombrar o país, o Banco Central (BC) havia mexido por cinco vezes, degraus acima, na taxa básica de juros, a Selic, para frear o consumo e evitar descontrole dos preços. O reflexo disso foi parar no bolso do consumidor. Como o dinheiro ficou mais caro para os bancos, a maneira das instituições financeiras manterem para cima a exorbitante margem de lucro foi encarecendo as operações de crédito. Foi por isso que, só no primeiro os brasileiros pagaram R$ 85,2 bilhões em juros, segundo dados da Federação do Comércio de São Paulo.

Entretanto, é preciso lembrar que em 2009, no pós-crise, como nunca havia se visto, a Selic chegou a 8,75% ao ano, um patamar que refletiu no custo do crédito, que baixou significativamente. Na época, ficou mais fácil financiar imóvel, carro e fazer compras parceladas. No entanto, toda aquela tentativa de baratear o crédito foi por água abaixo já no final de 2010, quando o governo resolveu aumentar os encargos em cima dos empréstimos de longo prazo.

O problema é que os juros no Brasil ainda são extremamente elevados. Dia desses, o economista aposentado – Sebastião Balarini – disse que no Brasil o “crédito se tornou espécie de droga", afirmação que sou obrigado concordar.

O Brasil sofre com um problema psicológico grave. Aqui, todo mundo se acostumou a viver com a inflação alta e a pagar juros elevados. Assim, é muito difícil pensar o país com juros menores, ou seja, com custos mais baixos. Mas receio que a curto e médio prazos nada vai mudar. As taxas continuarão altas e as pessoas, sem perceber, continuarão a pagar juros exorbitantes.

O brasileiro está viciado em parcelamentos, em usar cartão de crédito e a entrar no crediário. Sem qualquer medida, pega empréstimos e acaba caindo no endividamento. Em nosso país, enquanto a Selic é de 1% ao mês, o banco cobra 7% e mesmo assim o consumidor não se importa em tomar o empréstimo. Se as pessoas não aceitassem a taxa de juros nesses patamares e deixassem de adquirir crédito caro, os bancos seriam obrigados a reduzir as taxas.

Diante disso, o conselho para o consumidor é tomar cuidado. Juro só é bom para o investidor. O consumidor deve parar de ficar refém do crédito e de dividir sua renda com os bancos. Agora, se o Brasil é tido hoje como um país de primeiro mundo, precisa sê-lo também na taxa de juro que impõe sobre o seu povo.

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Pedro Lacerda é empresário e presidente da Fiemg Regional Vale do Paranaíba e do Centro das Indústrias - Cintap
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