Quem de vós dará
uma pedra ao filho que pede pão? Ou uma serpente ao que pede um peixe?
Se vós então, que sois maus, sabeis dar boas coisas a vossos
filhos, quanto mais vosso Pai que está nos céus dará boas
coisas aos que lhe pedirem! Mateus 7, 9-11
Estávamos
a beber leite batizado sem sabermos há quanto tempo. Não eu, porque
não consumo tal produto, mas fiquei pensando nos pais e mães que
do suor do rosto e eu conheço muitos, privando-se de algum luxo ou vontade
se apressam em estocar o leite em casa para que os filhos bebam e cresçam
com saúde. Inocentes genitores.
Faz-se
alarde sobre o que alguns fizeram com o leite e é justo que se apure com
todo o rigor e punam-se exemplarmente os autores da vil façanha.
Faz-se
necessário porém uma atenção redobrada, retriplicada,
requadruplicada sobre aquilo que hoje em dia chamamos de alimento, seja o do corpo,
o da mente ou o do espírito.
O
leite adulterado é o retrato fiel da crise institucional do pais, há
muita coisa adulterada no nosso dia-a-dia, há gasolina adulterada, há
condutas adulteradas, há um país inteiro para se redesenhar.
Particularmente,
acredito que vivemos uma época em que as grandes mazelas que ficavam entre
quatro paredes, vazam e por conta disso ganhamos a possibilidade de eliminá-las
e montar guarda para que não ocorram novamente.
Significa
prestar muito mais atenção ao conjunto de coisas que são
despejadas sobre nós e desenvolvermos um saudável espírito
crítico, para que nossa verdade interior, prevaleça sobre o senso
comum de que o que serve para uns serve para todos. Significa vencer a preguiça
de querer tudo pronto e embalado e praticar o hábito da pesquisa, do perguntar,
do informar-se.
Virar as costas
para o lixo que produzimos, porque o caminhão leva, não basta. É
preciso saber para onde ele vai e se está causando algum problema há
alguns metros da nossa casa. É varrer mais a calçada e usar menos
a mangueira, é prestar atenção ao conteúdo ao invés
de consumir rótulos.
Enfim
precisamos amadurecer enquanto povo para que votemos corretamente, compremos corretamente,
cumpramos nossas obrigações corretamente e cobremos postura, compromisso
e ética de tudo e todos ao nosso redor, inclusive de nós mesmos.
Porque aí poderemos falar de consciência limpa em direitos. O nosso
e o dos outros.
Quem de
vós dará um DVD pirata ao filho alegando economia? Sem saber se
há trabalho escravo, infantil ou o crime organizado que tanto nos incomoda,
por trás desse gesto tão "simples"? Ou soda e água
oxigenada ao que pede leite?