segunda-feira, 22 dezembro, 2008 16:50
Ventos
ignorados
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divulgação |
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Potencial
eólico do Nordeste brasileiro poderia suprir
quase dois terços de toda a demanda nacional
por eletricidade, mas país utiliza apenas 1%
dessa capacidade, destaca estudo feito por pesquisadores
do Inpe |
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Thiago
Romero | Agência FAPESP
LINK
ORIGINAL
Mais de 71 mil quilômetros
quadrados do território nacional, em sua quase totalidade
na costa dos estados do Nordeste, contam com velocidades
de vento superiores a sete metros por segundo, que propiciam
um potencial eólico da ordem de 272 terawatts-hora
por ano (TWh/ano) de energia elétrica.
Trata-se de uma cifra bastante
expressiva, uma vez que o consumo nacional de energia elétrica
é de 424 TWh/ano, aponta estudo publicado na Revista
Brasileira de Ensino de Física, de autoria de pesquisadores
do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos
(CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
“Os números do potencial
eólico brasileiro foram estimados com os mesmos modelos
de previsão de tempo e estudos climáticos.
Como esses modelos são validados para locais específicos
das diferentes regiões do país, esse potencial
eólico pode estar subestimado”, disse Fernando
Ramos Martins, da Divisão de Clima e Meio Ambiente
do CPTEC/Inpe e um dos autores do artigo, à Agência
FAPESP.
Mas, segundo ele, com as informações
disponíveis atualmente, levando em conta todas as
dificuldades inerentes aos altos custos da geração
de energia eólica, é possível afirmar
que apenas o potencial da energia dos ventos do Nordeste
seria capaz de suprir quase dois terços de toda a
demanda nacional por eletricidade.
“O problema é que,
atualmente, o índice de aproveitamento eólico
na matriz energética brasileira não chega
a 1%. A capacidade instalada é muito pequena comparada
à dos países líderes em geração
eólica. Praticamente toda a energia renovável
no Brasil é proveniente da geração
de hidreletricidade”, apontou.
Parte dos dados do estudo também
foi extraída do Atlas do Potencial Eólico
Brasileiro, produzido pelo Centro de Pesquisas de Energia
Elétrica (Cepel) com o objetivo de fornecer informações
para capacitar tomadores de decisão na identificação
de áreas adequadas para aproveitamentos eólico-elétricos.
“Os locais mais propícios
no país para a exploração da energia
eólica estão no Nordeste, principalmente na
costa do Ceará e do Rio Grande do Norte, e na região
Sul”, disse Martins.
Além de descrever a evolução
do aproveitamento da energia eólica no mundo, os
pesquisadores do Inpe trazem no artigo dados inéditos
sobre a situação atual do uso desse recurso
para geração de eletricidade em diferentes
países.
Sem emissões
Segundo o estudo,
o setor de energia eólica tem apresentado crescimento
acelerado em todo o mundo desde o início da década
de 1990. A capacidade instalada total mundial de aerogeradores
voltados à produção de energia elétrica
atingiu cerca de 74,2 mil megawatts (MW) no fim de 2006,
um crescimento de mais de 20% em relação ao
ano anterior.
“Enquanto o Brasil explora
menos de 1% de sua energia eólica, países
como Alemanha, Espanha e Noruega utilizam por volta de 10%”,
disse Martins, lembrando que a conversão da energia
cinética dos ventos em energia mecânica é
utilizada há mais de três mil anos.
Em 2006, o Brasil contava com
237 megawatts (MW) de capacidade eólica instalada,
principalmente por conta dos parques na cidade de Osório
(RS). O complexo conta com 75 aerogeradores de 2 MW cada,
instalados em três parques eólicos com capacidade
de produção de 417 gigawatts-hora (GWh) por
ano.
O pesquisador do CPTEC aponta
ainda que, dentre as fontes energéticas que não
acarretam a emissão de gases do efeito estufa, a
energia contida no vento também demonstra potencial
para atender à segurança do fornecimento energético
no país.
“Políticas nacionais
de incentivos estão começando a produzir os
primeiros resultados, a exemplo do Proinfa [Programa de
Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica].
Espera-se um crescimento da exploração desse
recurso nos próximos anos no Brasil”, disse
Martins.
O Proinfa, coordenado pelo Ministério
de Minas e Energia, foi criado em 2002 para a diversificação
da matriz energética nacional. O programa estabelece
a contratação pelas empresas de uma parcela
mínima de energia elétrica produzida a partir
de fontes renováveis, entre as quais energia eólica
e a energia proveniente de pequenas centrais hidrelétricas.
Sonda e Swera
Martins
destaca ainda duas iniciativas do CPTEC que têm dado
suporte científico à produção
de informações sobre a os recursos eólicos
no território brasileiro. Entre os esforços
mais recentes, explica, estão a base de dados do
Projeto
Sonda, um sistema de coleta de dados de vento
operado e gerenciado pelo centro.
O objetivo do projeto, que tem
dezenas de estações de coleta de dados eólicos
com medidores instalados em diversos estados brasileiros,
é disponibilizar informações que permitam
o aperfeiçoamento e a validação de
modelos numéricos para estimativa de potencial energético
de fontes renováveis.
O levantamento dos recursos
de energia eólica no Brasil também vem sendo
realizado pelo projeto Solar
and Wind Energy Resources Assessment (Swera),
conduzido pela Divisão de Clima e Meio Ambiente do
CPTEC, com financiamento do Programa das Nações
Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).
Toda a base de dados gerada até
o momento pelo Sonda e pelo Swera, que terá sua segunda
fase iniciada no começo de 2009, está disponível
para acesso gratuito no site dos projetos.
“Essas bases de dados são
extremamente úteis para a definição
de políticas junto ao setor energético nacional
e para o desenvolvimento de projetos de pesquisa científica
sobre a temática do aproveitamento de recursos energéticos.
Os resultados obtidos até o momento demonstram o
potencial do país no que diz respeito à disponibilidade
dos recursos renováveis”, afirmou Martins.
Além de apresentar uma
revisão dos conceitos físicos relacionados
ao emprego da energia cinética dos ventos na geração
de eletricidade, o artigo descreve ainda os aspectos dinâmicos
dos ventos e detalhes sobre a circulação atmosférica
na Terra, incluindo os fatores que influenciam a velocidade
e direção dos ventos nas proximidades da superfície.
Para ler o artigo O
aproveitamento da energia eólica, de Fernando Ramos
Martins e outros, disponível na biblioteca on-line
SciELO (Bireme/FAPESP), clique
aqui.
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