Brasil ganhará
agência de notícias em ciência e tecnologia
quarta-feira, 15 julho, 2009 14:40
(Agência SBPC)
– Uma divulgação científica profícua
depende de dois atores fundamentais: cientistas e jornalistas.
A dita difícil relação entre ambos
tem progredido nas últimas décadas com a melhor
formação dos profissionais da comunicação
e a compreensão por parte dos especialistas de que
a divulgação de suas pesquisas pode render
frutos para si próprios, para sua instituição
e para a sociedade.
Nesta segunda-feira
(13), Luisa Massarani, diretora do Museu da Vida e jornalista,
anunciou a criação de uma agência nacional
de notícias de ciência e tecnologia para facilitar
o acesso de jornalistas à pesquisa brasileira. O
projeto tem apoio do Ministério da Saúde e
da Ciência e Tecnologia. “É preciso desenvolver
estratégias para tornar a ciência brasileira
mais visível e levar o melhor das pesquisas para
a mídia”, afirmou.
A agência, a ser
lançada até o ano que vem, seguirá
os moldes de agências internacionais de fôlego,
como o Eurekalert e o Alpha Galileu, iniciativas norte-americana
e britânica, respectivamente. A estratégia
é disponibilizar informações ágeis,
enfatizando os comunicados e temas mais interessantes, disponibilizar
um banco de fontes, fotos, gráficos, entrevista,
além de ser um canal de discussão direto com
jornalistas.
A iniciativa, há tempos requisitada por profissionais
da comunicação, exigirá que os cientistas
também se coloquem mais a disposição
da mídia. Não é incomum que os jornalistas
de ciência afirmem ser mais fácil contatar
cientistas estrangeiros do que os de seu País.
Depoimentos como este foram coletados por Elisa Oswaldo
Cruz Marinho, assessora de comunicação da
renomada Academia Brasileira de Ciência, que entrevistou
membros da àcademia e jornalistas de ciência
para entender quais os principais ruídos dessa relação.
Entre os cientistas as críticas mais comuns foram
as dificuldades dos jornalistas em “traduzir”
conceitos científicos com precisão, obstáculo
que poderia ser superado, como sugeriu um entrevistado,
enviando os textos jornalísticos para a fonte antes
da publicação, prática adotada por
alguns e criticada por outros. Elisa acredita que os cientistas
mais jovens, a exemplo dos membros afiliados à ABC,
estejam mais abertos e disponíveis para lidar com
a mídia, e lembra que o currículo Lattes,
plataforma nacional de currículos de pesquisadores
do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico
e Tecnológico (CNPq), já reconhece a importância
da divulgação científica como atividade,
reservando espaço para um item sobre a comunicação
do cientista com o público.
Para os jornalistas
a relação com os cientistas pode ser melhorada
a partir do momento que se estabelece confiança entre
as partes. Uma das formas de se alcançar isso seria
evitar o sensacionalismo e cuidar para entender com maior
profundidade os temas a serem divulgados.
Ações que auxiliem a capacitação
de profissionais da mídia e da academia para que
ambos entendam o trabalho do outro tem ampliado no Brasil,
o que se reflete no espaço e qualidade da comunicação
da ciência para o público. Luisa reforçou
que ainda é preciso investir em diagnósticos
mais eficientes para analisar a qualidade da divulgação
científica hoje praticada. A cada dia, lembra, crescem
as pesquisas nessa área.
O banco de teses e dissertações da Coordenação
de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
(Capes) registra 227 documentos sobre jornalismo científico
e outros 687 em divulgação científica,
dos quais 88 foram concluídos apenas em 2008. “É
preciso conectar pesquisa e prática em jornalismo
científico e usar isso para melhorar a prática
que tem sido feita”, defendeu.
Germana Barata,
da revista ComCiência, para a Agência SBPC